Editorial

Solução para enchente

18/03/2016 08:00


Os estragos das chuvas ainda podem ser vistos em praticamente todas as cidades da região atingidas pelas chuvas. A busca de soluções é um grande desafio para as autoridades. Em São Paulo, os municípios de Mairiporã e Franco da Rocha tiveram áreas atingidas pelas fortes chuvas da madrugada e recebem vistoria do governo estadual. Nas cidades da região ainda não ocorreu vistoria, mas municípios como Itaquá, Ferraz, Poá, Mogi e Suzano foram castigadas pelas chuvas. O Corpo de Bombeiros registrou 16 mortes em deslizamentos de terra em todo o Estado de São Paulo. Na Região Metropolitana, 140 homens do Corpo de Bombeiros estão trabalhando ininterruptamente desde a madrugada, com 50 viaturas mais equipamentos. O trabalho do Corpo de Bombeiros nesse primeiro momento é tentar salvar vítimas e acolher as famílias. A primeira tarefa é ajudar as pessoas, acolher as famílias. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) reforçou o pedido para que as famílias residentes em áreas de risco sigam a orientação da Defesa Civil e procurem os abrigos disponibilizados pelas prefeituras. Só para se ter uma ideia, a Grande São Paulo recebeu na madrugada de quinta para sexta-feira, da semana passada, um volume de água equivalente a um mês de chuva. A Sabesp alega que "segurou ao máximo as águas da represa Paiva Castro (a quinta represa do Sistema Cantareira)". Na quinta-feira, o reservatório tinha 35% da sua reservação. Na madrugada de sexta-feira, o volume estava em quase 100%. Não existe fórmula mágica para evitar os alagamentos, mas algumas mudanças na estrutura dos grandes centros urbanos podem minimizar o efeito do excesso de água. O desafio principal é encontrar alternativas para evitar a impermeabilização do solo e o assoreamento dos rios (acúmulo de detritos que causa a redução da profundidade e da vazão). Afinal, reduzir o volume de chuvas não é possível, nem desejável. Em São Paulo, por exemplo, o volume médio de chuvas em dezembro e janeiro - os meses mais molhados do ano - é de cerca de 200 milímetros ou o equivalente a 200 litros de água em 1 metro quadrado por mês. Mas, às vezes, o volume mensal desaba de uma só vez, em um único dia de chuva intensa. Em certos dias de enchente no ano passado, chegaram a cair 83,8 milímetros em uma hora na Terra da Garoa. Como as vias de escoamento da cidade não dão conta de drenar tanta água e os rios estão cada vez mais estreitos e rasos, o resultado são ruas alagadas, trânsito e todo o caos.