Colunista

O recado da Campanha da Fraternidade para governantes e cidadãos

18/03/2016 08:00


carmineA Campanha da Fraternidade (CF) está inserida no Magistério social da Igreja do Brasil e destina-se a toda a sociedade: poderes públicos, escolas, paróquias, comunidades e também às outras Igrejas cristãs. A CF deste ano: “Casa Comum, Nossa responsabilidade” tem caráter ecumênico. O aspecto principal é a nossa relação com a Casa Comum. Somos provocados a ver a realidade na qual se encontra a Casa Comum, a julgar a nossa responsabilidade, para o bem da Casa Comum, e agir, para ver o direito brotar como fonte, e a justiça correr qual riacho que não seca. Casa Comum” é uma maneira nova de chamar o Planeta Terra, habitado por seres viventes, criados à imagem e semelhança de Deus. As criaturas começaram a habitar Terra, mas não estavam sozinhas, porque Deus estava com elas e feliz de ter dado aos seus filhos uma Casa Comum para viver. Desde então, a Terra tornou-se a Casa Comum de todos os filhos de Deus. Nela, os homens e as mulheres, unidos ao Criador, podiam desfrutar com responsabilidade dos recursos naturais, oferecidos gratuitamente para o bem comum. Ao longo do tempo, prevaleceram sentimentos hostis, nas relações humanas, houve rebeldia em relação a Deus e os interesses pessoais se sobrepuseram ao bem comum. Grande foi a bondade de Deus que, através da Encarnação, fixou de novo a sua morada na Terra criada por Ele, para que se assemelhasse à Casa Comum do Céu, preparada para todos, lugar de aconchego e de amor fraterno e universal. Cristo amou a Terra com um olhar não restrito aos habitantes da Palestina, mas voltado para todos os seres humanos. O maior feito d’Ele foi ter vencido o principal inimigo, causador de todos os males que vinham acontecendo na Casa Comum. Recriou uma nova e grande família, redimida pelo seu sangue derramado na cruz. Ao longo da História e, sobretudo nestes últimos tempos, aconteceram outros estragos. Foi por isso que o Céu pediu a São Francisco para reparar a Casa Comum, ameaçada, explorada, deformada pela ambição e ganância dos homens. Foi na linguagem da poesia, no olhar do pobre, na mão amiga e companheira, na canção dos passarinhos, nas cores das flores, no fio de água nascente, que Francisco soube cantar a beleza da Casa Comum, com o seu hino de amor a Deus e às criaturas. Seguindo os passos do Santo de Assis, também Papa Francisco renovou, na Encíclica "Laudato Si’", o apelo para todos os habitantes da Casa Comum a olharem o caos social, a multidão dos famintos, a procissão dos ‘lascados’, as explosões de morte, os inocentes mortos ou feridos, os territórios bombardeados, as sementes envenenadas, o ar poluído, as águas contaminadas, as matas amazônicas ameaçadas e as áreas urbanas sem saneamento básico. Pesa por demais o medo de como irá ficar a Casa Comum se não houver uma nova consciência de paz e de boa vontade, para pratear a Terra de luz, de beleza, de justiça, de honesta distribuição dos bens e, sobretudo, em garantir serviços de qualidade para todas as populações.