Caderno D

Adriana Esteves fala sobre filme ‘Mundo Cão’

27/03/2016 08:00


Há um antes e depois de Carminha na vida, e na trajetória artística, de Adriana Esteves. Ninguém sabe disso melhor que ela. Adriana já havia feito muitos filmes e novelas, incursionara pelo teatro e era considerada boa no que fazia, mas aí ocorreu o verdadeiro fenômeno que foi a novela de João Emanuel Carneiro, Avenida Brasil. Crítica e público descobriram uma outra Adriana Esteves, capaz de compor com brilho uma personagem que foi muito além do estereótipo da vilã para compor um arquétipo raro - pela força e densidade - na teledramaturgia brasileira. Por meses o País ficou siderado, eletrificado no confronto entre Carminha e Nina, a personagem de Débora Falabella. Adriana ganhou todos os prêmios do ano e, mais que o status de grande estrela, tornou-se atriz respeitada. Tudo o que faz agora desperta interesse - e expectativa. Adriana ocupa as telas de cinema como a dona de casa suburbana de Mundo Cão. No longa de Marcos Jorge, ela se chama Dilza e é colhida no embate violento entre os personagens de Babu Santana e Lázaro Ramos. Num novo encontro com o repórter após o proporcionado pelo longa de Jorge Furtado, Real Beleza, Adriana falou de cinema, TV e família. Sim, o casamento de dez anos com Vladimir Brichta vai bem, obrigado. E não existe essa de filhos de um e de outro. São todos “nossos”, como ela diz. Adriana não esconde o orgulho pela enteada não, a filha ter ficado em primeiro lugar no vestibular para a Faculdade de Psicologia. Dilza é outra personagem muito forte. Estava tudo no roteiro de Marcos Jorge ou você deu sua contribuição? O roteiro era muito bem escrito e, de cara, quando ele me propôs, eu topei. Mas o Marcos é um diretor maravilhoso, que tem ouvido e sensibilidade para escutar o ator. Se você pergunta para o Babu (Santana) e o Lázaro (Ramos), eles vão fizer a mesma coisa. O Marcos ensaia, ouve a gente, testa nossas propostas. Quando falamos no Real Beleza, você disse que queria fazer coisas diferentes. Que surpreendessem o público e a você mesma. Eu me lembro que você usou uma expressão - "Estou buscando." E o que, exatamente, você busca? E eu sei? Estamos falando de Real Beleza, de Mundo Cão, poderíamos acrescentar o Canastra Suja, que eu acabo de fazer e acho que vai ser muito bom. Não sei exatamente o que busco, mas estou buscando. Não quero me acomodar. Quero ser desafiada como artista, porque só assim vou crescer. E na TV? Iniciamos na quarta, dia 16, o trabalho de mesa de Justiça. É um texto de Manuela Dias que vai ocupar o horário de fim de noite da Globo. Vai ser uma direção de José Luiz Villamarim. É um horário muito bom porque também permite ousar mais. E a Manuela eu não preciso nem apresentar. Já que entramos nessa seara familiar, você tem o Vicente com o Vladimir Brichta e ele já tinha a Agnes. É bonito ver como vocês todos convivem bem... E por que não? O Marco e o Vladimir são amigos e o Felipe é um privilegiado que tem dois pais. Vladimir é um grande parceiro, na vida como na arte. Dá a maior força para o que quero fazer e eu retribuo. Queremos crescer juntos, fazer o que a gente gosta.