Colunista

Zeladores de Praças

31/03/2016 08:00


eduardo caldas corA Cidade de São Paulo tem 1.522.986 km². Em 2005 a cidade tinha apenas 34 parques e 4.500 praças. Houve, desde então, principalmente no período em que a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente foi liderada pelo médico sanitarista Eduardo Jorge, um esforço continuado de ampliação das áreas verdes e da arborização urbana, buscando qualificar ou requalificar a floresta urbana de São Paulo. Em 2011, a cidade tinha mais de 5.000 praças e 80 parques. Trata-se de trabalho hercúleo tanto em termos de disputa do espaço urbano com o setor imobiliário quanto em termos de aumento do trabalho dos servidores uma vez que não basta plantar árvores e ampliar os espaços verdes, mas é preciso cuidar permanentemente do espaço ampliado e das árvores plantadas. O Programa Zeladores de Praças foi criado em São Paulo, em 2008, como fruto de uma articulação intersetorial entre a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho e a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Os objetivos do programa eram garantir o adequado uso de espaços públicos pela população bem como a revitalização do paisagismo local e a inserção de pessoas socialmente vulneráveis, no mercado de trabalho. Além de embelezar a cidade, recuperar a praça e fazer a sua manutenção, o Programa Zeladores de Praças garantia às pessoas um equipamento público limpo e organizado para convivência, lazer e contemplação. Os interessados em tornarem-se zeladores de praças deviam ter mais de 18 anos, cadastrarem-se nas Subprefeituras, estar desempregados há mais de quatro meses sem receber seguro-desemprego e ter renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa. Os selecionados recebiam uma capacitação de 60 horas, distribuídas em 20 dias, ministrada pela Escola de Jardinagem da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Após a conclusão do curso e com o certificado em mãos, eram alocados em uma praça próxima do bairro em que moravam. A Subprefeitura da região fazia a orientação e acompanhamento do trabalho do zelador de praça. A Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho garantia uma bolsa-trabalho, bem como auxílio deslocamento e auxílio refeição, que somados chegavam a um valor próximo do salário mínimo, por seis horas de trabalho/dia (trinta horas no mês). Um zelador de praça podia manter-se como bolsista por até 24 meses. Assim, além da capacitação inicial do bolsista, ele acumulava prática de jardinagem, e desenvolvia competências para o ofício da jardinagem. O zelador de praça recebia uniforme (jaleco, camiseta, calça), equipamentos de segurança individual (um par de luvas, óculos de proteção, boné, botinas e filtro solar/repelente) além de ferramentas para seu trabalho. O zelador de praça era responsável pela limpeza, por pequenos reparos, pela poda e rega da vegetação e até pelo aprimoramento paisagístico de uma praça ou conjunto de praças. Desde o início de 2008 até meados de 2011, foram capacitados 1.600 zeladores de praças. Desses, cerca de 1100 zeladores permaneciam cuidando de mais de 800 áreas verdes na Cidade. Em 2013, surgiu boato que o Programa seria encerrado por falta de recursos financeiros. O fato é que em outubro de 2015, o Programa foi rebatizado com o nome Praças Mais Cuidadas, no mesmo dia em que foi publicado o Decreto 55.610 facilitando a adoção de Praças pela iniciativa privada. Neste ano eleitoral, a experiência do Programa Zeladores de Praças de São Paulo é uma iniciativa a ser debatida e inserida na agenda eleitoral em cada município, principalmente naqueles em que não há políticas para praças, parques e áreas verdes.