Nacional

Ciclovia de R$ 45 milhões desaba e deixa 2 mortos

22/04/2016 08:00


 Um trecho da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, inaugurada em janeiro, desabou na manhã de ontem, levado pela ressaca do mar de São Conrado, Rio de Janeiro. A ciclovia, que é suspensa e junto ao mar, teve um pedaço de mais de 50 metros arrancado pela água. Está interditada, assim como a Niemeyer. Técnicos da Secretaria Municipal de Obras ainda vão avaliar se há risco de outros desabamentos na ciclovia. Segundo ciclistas que trafegavam no local, o mar estava com uma forte ressaca, com ondas altas e violentas, atingindo a ciclovia e também a Avenida Oscar Niemeyer. A ciclovia custou R$ 45 milhões, tem 3,9 quilômetros, 2,5 metros de largura, vai do Leblon a São Conrado e foi inaugurada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) no dia 17 de janeiro, que usou um triciclo elétrico. Na ocasião, ele declarou que a obra tinha "um efeito de integração incrível, já que juntou o bairro do Leblon e São Conrado", e que tinha potencial para servir de trajeto para pessoas que utilizam bicicleta para ir trabalhar. "É a ciclovia mais bonita do mundo", disse, referindo-se à vista livre para o mar. O trecho inaugurado foi o da primeira fase do Complexo Cicloviário Tim Maia, que vai até a Barra da Tijuca. A empreiteira Concremat, responsável pela construção da ciclovia Tim Maia, que desabou ontem, pertence à família do secretário de Turismo da cidade do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Mello. A Concremat foi fundada por Mauro Ribeiro Viegas, avô de Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello. Hoje, a empresa tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho. O ator Marcelo Faria, que mora em um condomínio em São Conrado em frente ao ponto da ciclovia Tim Maia acompanhou o resgate dos corpos do mar. Ele usa todo dia a ciclovia, para levar a filha ao colégio, na Gávea, para visitar a mãe, no Leblon, e também a trabalho. "Minha mulher me chamou quando viu um corpo sangrando e boiando no bar. Eu achei que fosse um pescador. Depois o segurança do condomínio chegou dizendo que a ciclovia tinha desabado. Quando inauguraram, foi um alívio, pois eu não precisaria mais me arriscar na Niemeyer e poderia andar com minha filha, de 5 anos. Eu uso todo dia, e, muitas vezes, com ela na garupa. A primeira sensação que eu tive foi de que poderia ter sido a gente", contou o ator.