Colunista

A crise da saúde

18/05/2016 08:00


A maioria dos focos do ministeriado do presidente interino Michel Temer (PMDB) está concentrado em duas áreas: saúde e economia. Na primeira, a situação é de muita dificuldade. A falta de leitos, de médicos e a imensa dificuldade da população para marcar consultas são sinais de que a saúde não anda bem. Nesta semana, o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, mostrou total preocupação e reconheceu as dificuldades pelos quais passam o setor. Ele disse que vai buscar, junto à equipe econômica do presidente interino, a aplicação do que foi previsto para o setor no Orçamento 2016. Houve, segundo ele, um corte de R$ 5,5 bilhões no setor, feito pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). O valor é altamente prejudicial porque reflete a falta de investimento no principal setor do País. Ontem, ele disse que espera recompor esses valores para que todos os compromissos do ministério sejam cumpridos. Questionado sobre a possibilidade de reduzir o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS), Barros destacou que trata-se de uma cláusula da Constituição que prevê saúde universal para todos, mas admitiu que “não há recursos para se dar tudo a todos”, disse o ministro. “O SUS tem funcionado com os recursos que tem, atendendo ao máximo de pessoas, com as melhores condições possíveis.” A situação é, sem dúvida, muito preocupante porque já existe um calapso no atendimento médico do País. O Alto Tietê enfrenta os mesmos problemas nacionais, com a falta de leitos, de médicos e de hospitais. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro afirmou que a capacidade financeira do governo para suprir garantias a que os cidadãos têm direito não são suficientes e que o País não está em um nível de desenvolvimento econômico que permita garantir esses direitos por conta do Estado. Barros disse estar se referindo à reforma da Previdência e não ao SUS. Nesse caso, os investimentos precisam ser efetivamente empenhados para que se consiga sair da crise da saúde. A crise econômica afeta também a distribuição de medicamentos. Sem dinheiro, muitos estados reduziram o fornecimento gratuito de remédios caríssimos e de extrema importância para o tratamento de doenças graves e os pacientes não aguentam mais ouvir explicações sobre a falta de estoque. É preciso reverter a situação e garantir melhora no atendimento à população que precisa de hospitais e remédios.