Gil Fuentes

Com conhecidos e novas caras, X-Men inicia fase mais teen com ‘Apocalipse'

24/05/2016 08:00


Os rostos são novos, os poderes, não. “X-Men: Apocalipse”, filme que está em cartaz no Brasil desde o último dia 19, nasce com a missão de apagar o fim desastroso da primeira trilogia dedicada aos mutantes dos quadrinhos, encerrada com “X-Men: O Confronto Final”, lançado em 2006. Naquele longa, personagens grandiosos das HQs foram reduzidos a cinzas - alguns em um sentido mais literal do que outros -, e a franquia demorou para encontrar uma forma de voltar a usá-los. São os casos de Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Noturno, Fera, Mística, Professor Xavier, Magneto. Foram-se dez anos até que a trupe de personagens dos mais famosos das HQs estivesse pronta para voltar às telonas, como o fazem nessa reestreia em Apocalipse. Alguns deles, como Xavier e Magneto, ganharam suas novas versões sob as peles de James McAvoy e Michael Fassbender, repaginados a partir “X-Men: Primeira Classe”, em 2011, assim como Fera (Nicholas Hoult) e Mística (Jennifer Lawrence). O restante precisou ser apagado em “Dias de Um Futuro Esquecido”, lançado há dois anos, com uma mequetrefe justificativa de uma volta no tempo. Enfim, é chegada a hora de o restante do time de estudantes/heróis vestir a roupa de couro e salvar o mundo - desta vez, de maneira acertada. É inegável que Bryan Singer, diretor nova-iorquino, colocou os X-Men nos cinemas em 2000, quando filmes de super-herói eram vistos com grande ressalva. Três anos antes, Batman & Robin, de Joel Schumacher, com aquele ar cômico, colorido e até um bat-cartão de crédito, havia enterrado o que hoje se conhece como gênero de super-heróis. Singer sempre foi fã da equipe de mutantes. Há uma melancolia na busca por igualdade entre eles, aqueles com poderes ora especiais, ora tenebrosos, e os humanos. Há medo, há preconceito, há a luta de uma minoria por direitos igualitários. O mais angustiante talvez seja entender que a metáfora da vida real proposta por Stan Lee e Jack Kirby, quando eles criaram os X-Men em 1963, seja tão atual em 2016. Ao dar início à empreitada heroica com o filme de 2000, Singer não apenas mostrou que personagens dos quadrinhos poderiam, sim, funcionar no cinema contemporâneo (e foi abre-alas para a máquina de fazer dinheiro que se tornou a ideia de transportar os personagens com capas esvoaçantes para a tela grande), mas como escancarou a necessidade de se encontrar saídas nos blockbusters para se discutir as mazelas da humanidade dos anos 2000. Singer, homossexual, sofreu grande parte da sua vida como alguém tratado com a indiferença ou, pior, o repúdio daqueles que o rodeavam. Assim como os seus X-Men. Diante do carinho com esses personagens, o diretor levou ao cinema dois filmes dos heróis. O terceiro, o derradeiro dessa trilogia, “O Confronto Final”, seguiu sob a tutela Brett Ratner, arruinou o esmero na construção desses personagens. Singer havia abandonado o navio mutante para dirigir “Superman: O Retorno”, de 2006, um filme poético demais para aquele momento que exigia mais ação de filmes de heróis. Voltou para a franquia para reerguê-la. No caso de Primeira Classe, de Matthew Vaughn, ele era produtor e em “Dias de Um Futuro Esquecido”, que ele dirigiu, passavam a vassoura pela sujeira do terceiro filme da trilogia anterior e, com Apocalipse, Singer volta a estabelecer os personagens mais clássicos, caso de Cíclope, Jean Grey, Tempestade, como os protagonistas dos filmes que estão por vir. Para isso, foi preciso tirar o protagonismo dos antigos líderes da trupe, caso de Xavier (McAvoy) e Mística (Lawrence), para que uma nova estrela pudesse brilhar.