Cidades

Hábitos normais se tornam desafios para cadeirantes em Suzano

29/05/2016 08:01


Hábitos rotineiros como ir a consultas médicas, pagar contas ou fazer compras se tornam verdadeiros desafios quando o quesito é a falta de acessibilidade a pessoas cadeirantes ou com problemas de locomoção. Segundo o Movimento Pelos Direitos dos Deficientes Físicos (MDDF), o município não tem uma estrutura adequada, principalmente por conta da falta de manutenção preventiva das calçadas. O principal problema é observado nas cinco principais ruas da área central da cidade: General Francisco Glicério; Benjamin Constant; Monsenhor Nuno; Armando de Salles Oliveira e Nove de Julho. O DS andou pelas calçadas destas vias e constatou que que há buracos, desníveis e até mesmo a raiz de árvores que podem atrapalhar os cadeirantes. Todas chegam a ter rampas de acesso, no entanto, o espaço de algumas é insuficiente para que um cadeirante possa passar. Em nota, a Prefeitura informou que a Secretaria de Assuntos Urbanos sempre que procede obras de infraestrutura, vai paulatinamente adaptando-as. “Quando a acessibilidade dos passeios públicos, é de responsabilidade dos moradores contíguos que devem mantê-los nas devidas condições”, informou. Outra queixa é a falta de adaptações em órgãos públicos ou estabelecimentos comerciais suzanenses. Para a presidente do movimento, Maria Aparecida Botaro, os cadeirantes acabam tendo mais dificuldade quando necessitam utilizá-los. "Apenas a Prefeitura tem um acesso, porque tem elevador. Os demais órgãos públicos não têm. Um exemplo é a Promoção Social, que tem uma vaga no estacionamento para cadeirantes, mas é longe do local de acesso", acrescentou. Ela contou ainda que nos comércios da cidade, o problema está no espaço que as lojas cedem para transitar entre as gôndolas. "Em alguns comércios a cadeira não passa. Acaba esbarrando em tudo. Uns estão começando a se adaptar, mas outros ainda continuam a mesma coisa. É muito difícil", frisou. Maria também relatou que o problema de se locomover se agrava ao ir a bairros afastados da região central, já que muitas calçadas têm desníveis grandes. "Passamos verdadeiros desafios porque, algumas vezes, precisamos ir à rua porque a calçada está intransitável. Porém, a própria estrada acaba sendo pior", lamentou. Sobre a dificuldade enfrentada em regiões mais afastadas, a cadeirante Eliane Oliveira Santos enfatizou que passa por desafios físicos, já que a rua onde mora que é de paralelepípedo. "Subir minha rua é muito difícil, ainda mais quando chove. Aí só com ajuda mesmo. Infelizmente não encontramos Leis que nos amparem adequadamente". POLÍTICAS PÚBLICAS Outro tema abordado pela presidente da entidade foi a falta de políticas públicas. Ela disse que existe um conselho para tratar sobre assuntos específicos do tema, mas que, muitas vezes, falta quórum. "Temos Conselho do Idoso, Criança. O de deficiente nunca temos número", disse. "Antes tínhamos um ônibus para nos buscar, mas aí quebrou e estamos à míngua. Quando os políticos vêm aqui é só para pedir voto. Conseguimos manter a entidade por meio de doações da comunidade e do bazar, porém, as execuções das atividades ocorrem em três dias: terça-feira; quinta-feira e sábado", explicou.