Editorial

Alternativa para a região

29/07/2016 08:00


Com o nível das represas do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) ainda não normalizado, o governo estadual busca alternativas para garantir o abastecimento. Ontem, o DS publicou reportagem mostrando que o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) aprovou o pedido da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de concessão de licença prévia para a obra de transposição do Rio Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat). Será um reforço importante para garantir maior quantidade de água para abastecimento de água na região. O reforço pode garantir uma situação pouco mais favorável para milhares de famílias. O projeto, criticado por cientistas e ambientalistas, terá captação de água em região sensível no litoral norte, com várias unidades de conservação. Tudo para tentar contribuir com o abastecimento do Alto Tietê. Ambientalistas membros do Consema tentaram adiar a avaliação sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Sabesp), alegando que ele não dimensiona quais podem ser os impactos na região. O pedido, porém, foi endossado somente pela bancada de ambientalistas do Consema (5 representantes, num total de 36), e o EIA foi aprovado pela maioria dos presentes na reunião: 24 votos a favor, 5 contra e 1 abstenção. Seis membros faltaram. Em março e na semana passada, o EIA recebeu pareceres negativos de técnicos da Fundação Florestal, órgão responsável pela gestão de unidades de conservação do Estado, que também tinham alertado para a falta de informações do EIA. No final de junho, no entanto, a Fundação Florestal acabou concordando com o projeto depois que a Sabesp apresentou um plano de monitoramento da região. Durante a apresentação, pela Sabesp, do projeto e do EIA para os conselheiros, moradores de Bertioga, cidade mais próxima ao empreendimento. No ano passado, tanto o Alto Tietê como outras regiões, em São Paulo, viveu momentos críticos com a seca em praticamente todos os reservatórios. A possibilidade de um rodízio do abastecimento de água sempre foi descartada pelas autoridades. Na visão dos especialistas, porém, caso a torneira secasse antes que a água do volume morto entre no cano ou a água extraída dele não seja suficiente para abastecer a região até que as chuvas encham o reservatório novamente, a medida poderia ser inevitável. Não aconteceu. O rodízio deve ser realmente a última alternativa, porque prejudica a qualidade da água. Nesse momento, apesar de os reservatórios não terem atingindo ainda o limite seguro, a situação é bem melhor do que a do ano passado. Enquanto isso, os projetos de transposição e reforço de água se mantêm em todo o Estado.