Editorial

Ecologia além do espetáculo

09/08/2016 08:00


Bastante elogiada pelos principais veículos de comunicação de todo o mundo, a cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio 2016, que aconteceu no Estádio do Maracanã, na última sexta-feira, trouxe um tema extremamente relevante: a preservação da natureza. O jornal inglês The Guardian ressaltou a abordagem. "O tema de Pequim 2008 foi a China é grande, o de Londres 2012 foi a Grã-Bretanha foi grande. O tema de hoje (sexta)? É melhor nós começarmos a fazer algo sobre o meio ambiente ou nós talvez não tenhamos muitas Olimpíadas para celebrar no futuro". À parte o belo espetáculo que o Rio proporcionou, muito deixa a desejar sobre o cuidado com a natureza. A Baía de Guanabara, por exemplo, teve sua imagem diversas vezes exposta em reportagens sobre o não cumprimento por parte do governo em despoluí-la. A promessa era de que 80% seria despoluída, enquanto que este índice não ultrapassou os 50%. Embora tenha sido liberada pela organização para as provas de Vela ontem, as condições ambientais da água estão longe de serem as melhores. E isto é apenas um dos reflexos do pouco comprometimento da maioria dos governantes em relação à preservação do meio ambiente. As questões ecológicas passaram a ter espaço merecido nas discussões mundiais, principalmente depois das revoluções industriais, quando houve grande expansão de indústrias e da população nos países, principalmente em metrópoles, tendo como consequência a poluição e degradação mais acentuadas. Para se ter uma ideia dos impactos em todo o mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em estudo recente, divulgou que cerca de 12,6 milhões de pessoas morrem anualmente em todo o planeta em decorrência das más condições ambientais. Na mesma pesquisa, a OMS alerta que as devastações ambientais podem desencadear mais de 100 tipos de doenças. Isto devido às contaminações de solo, água, poluição atmosférica, exposição a substâncias químicas e à alta radiação ultravioleta. E estes impactos são sentidos por toda a população mundial, independentemente se o país que habita tem ou não indústrias. É um efeito dominó. Entretanto, apenas debater o tema não é o suficiente para sanar ou minimizar danos. Um dos maiores embates na luta para a preservação ambiental é o interesse financeiro dos grupos empresariais e dos governos. As indústrias são muito importantes para o crescimento econômico de um município, de um país. Mas é preciso que haja o menor impacto possível nas produções, aliado a uma fiscalização eficiente de cada processo industrial. Por parte do governo, o investimento deve ser pautado com responsabilidade e total comprometimento. Além das autoridades, é imprescindível que cada pessoa faça a sua parte. A sociedade se vê atualmente em um mundo de consumo excessivo, onde o descarte de objetos em boas condições é tido como algo normal. Nada hoje em dia é feito para durar, como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. É essencial que governo, empresariado e cidadãos trabalhem juntos para que a preservação ambiental vá além do espetáculo e chegue à realidade do planeta.