Colunista

A segunda milha

21/08/2016 08:00


SUELIA Bíblia ensina que "sempre que estiver ao nosso alcance, devemos ter paz com todas as pessoas". Mas não podemos negar que existem pessoas com as quais é difícil a convivência. Bom seria que todos fossem amigos; porém, nem sempre é assim. Como tratar os "inimigos"? Como conviver com aqueles que nos perseguem? Jesus nos ensinou a andar "a segunda milha". Sob a dominação dos romanos, os judeus poderiam ser recrutados para carregar a bagagem de um legionário (soldado), que se encontrasse em viagem, até o limite de uma milha. É fácil imaginar a revolta que tinha esse israelita por ser obrigado a caminhar ao lado de um "gentio" arrogante uma milha de estrada poeirenta de sua terra natal. Era um caminho de humilhação. Quando Jesus trouxe o ensinamento da segunda milha, Ele estava dizendo que precisamos ser pacientes, longânimos com aqueles que nos perseguem. Ir além do esperado. Desde que o mal entrou no mundo, os choques de valores começaram a existir. Caim, por exemplo, tornou-se inimigo de seu irmão, Abel, movido pela inveja. Esse sentimento tão negativo o levou a matar o próprio irmão. Os irmãos de José, também por inveja, deliberaram matá-lo. Acabaram por vendê-lo como escravo a uma tribo de midianitas. É mais difícil e doloroso, quando "os inimigos" estão no seio da própria família. De acordo com a lei mosaica, os inimigos deveriam ser tratados a "ferro e fogo". "Ame os seus amigos e odeie seus inimigos"; "Olho por olho e dente por dente". No entanto, quando Jesus andou por este mundo, ensinou uma nova forma de tratar os inimigos. Primeiramente, Ele nos mandou amar os inimigos. Parece impossível, não é mesmo? Todavia, se Ele mandou, é possível. Vai depender muito da nossa disposição para cumprir o que Ele ordenou. Além disso, Jesus nos ensinou a orar por aqueles que nos perseguem. (Mateus 5:43-48) Aqueles que nos perseguem estão "doentes" emocional e espiritualmente; por isso, precisam de nossas orações. A oração pode transformar situações. Quando oramos por nossos "inimigos", permitimos que a luz de Jesus entre em seus "duros" e resistentes corações. Também começamos a enxergar os nossos inimigos com outros olhos - olhos de amor e misericórdia. Afinal de contas, é assim que Deus nos olha. Enfim, a oração muda o outro, mas primeiro muda a gente. O cristão deve deixar uma marca diferente por onde passa. Ele deve ser diferente em seus valores, em seu comportamento, em suas escolhas; ele é diferente de dentro para fora. Não estou afirmando que seja fácil amar aqueles que nos fazem o mal. Somos humanos. Ficamos tristes, ressentidos, irados, como todo mundo. A diferença é que não podemos permitir que esses sentimentos criem raízes de amargura dentro de nós. O orgulho nos impede de orar e perdoar os inimigos. Mas, com humildade, é possível submetermos a nossa vontade à vontade de Deus e controlarmos nossa ira, deixando de dar vazão aos impulsos vingativos da natureza humana. Jesus deixou um "novo paradigma" de relacionamento, cuja base é o amor e o perdão. É o caminho da segunda milha!