Cidades

Justiça vai fiscalizar com rigor candidaturas com igreja como base eleitoral

21/08/2016 08:01


A partir deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai fiscalizar com maior rigor as candidaturas que usam a igreja como base eleitoral. A prática conhecida como ‘abuso de poder religioso’, consiste em se servir da divulgação em determinada igreja ou templo para ganhar votos. Segundo a presidente da Comissão Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Luana Ferraz Okawa, a fiscalização busca coibir o uso da fé das pessoas para conseguir eleitores. "É uma medida positiva para a população. Evitará a mistura entre política e religião. É importantíssimo saber diferenciar o líder religioso e o líder político. Não que um líder religioso não possa vir a ser um líder político. O ser humano é movido por ideais religiosos e políticos. Isso forma o caráter. A religião e a política são formas de caráter. Saber diferenciar limitará o abuso do poder religioso. É como um funcionário obrigado a votar no chefe. A lei é muito clara no que diz respeito a esse tipo de ação. Existem punições para o candidato e para o líder religioso que fizer campanha em templos ou igrejas. De forma reiterada, há riscos de ambos ficarem inelegíveis". A advogada ressalta que a questão do abuso religioso é ligada a laicidade do Estado. "Não temos uma religião oficial. Somos livres para seguir qualquer doutrina. Coibir a prática abusiva está de fato vetando a influencia da religião, confirmando a laicidade do País". O padre Lázaro Aparecido Sales acredita que a medida é favorável e que a igreja católica não abre espaço para divulgações de candidatos. "A meu ver, quem usa da fé das pessoas para conseguir seus objetivos pessoais não merece ser votado. Os candidatos devem ser claros e verdadeiros com os eleitores", disse. "Religião e política andam juntas, mas nunca devem se misturar. Estamos juntos quando a política busca o bem comum. Mas quando o candidato parte para o pessoal, visando apenas os próprios benefícios, somos contra. A influência da religião se dá na conscientização da população, aconselhamos para que conheçam bem cada um que está ou estará no poder". Para o pastor Francisco Daciley, política e igreja não se cruzam. "Igreja é igreja, e política é política. Há diferenças. Igreja está para orar. Oramos por nossos líderes, pedimos para iluminar os governantes, para o bem de todos. Mas somos contra a divulgação e apoio a candidatos", explicou. "O líder da igreja deve vigiar, porque infelizmente algumas pessoas tentam usar o espaço para promover campanhas. Há casos, mesmo na cidade, que religiosos se envolvem em política e acabam fazendo coisas que não deveria. Então, os demais generalizam as igrejas, acham que acontece em todas. Isso é triste, mas não podemos nos abalar".