Editorial

Onda inflacionária

04/09/2016 08:00


O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São Paulo, encerrou agosto com alta de 0,11%. Há um grande esforço das autoridades econômicas para tentar barrar a alta dos preços e melhorar a economia. A missão, que agora é do presidente Michel Temer (PMDB), é, sem dúvida, muito difícil. Vai requerer uma manobra importante na tentativa de garantir a abertura de novos postos de trabalho e o incentivo à indústria. A taxa, revelada na semana passada, é menor que a registrada em julho (0,35%) e também menor do que o resultado de junho (0,65%). No acumulado de janeiro a agosto, o IPC teve alta de 5,48% e, nos últimos 12 meses, 9,13%. Três dos sete grupos pesquisados recuaram em comparação ao fechamento de julho com destaque para habitação, que passou de uma alta de 0,2% para uma queda de 0,57%. Em transportes, o índice indicou redução de 0,02% ante uma alta de 0,04% e, em educação, a taxa foi negativa em 0,05% ante um aumento de 0,88%. No grupo alimentação, os preços subiram com menos força (de 0,78% para 0,74%) e também caiu o ritmo de correção nos grupos: despesas pessoais (de 0,26% para 0,05%) e saúde (de 1,46% para 1,41%). A única elevação na intensidade de reajuste foi constatada em vestuário. Neste grupo, o IPC tinha recuado em 0,98%, em julho, e, no fechamento de agosto, passou para uma alta de 0,21%. A subida de preço das roupas e outros artigos do vestuário é normal nessa época do ano, quando chegam ao fim as liquidações de inverno e começam a prevalecer nas vitrines as roupas da moda primavera-verão. A inflação, sem dúvida, é a causa de sérios distúrbios econômico-sociais que prejudicam certas classes de pessoas na medida em que beneficiam outras. O principal e mais doloroso efeito da inflação é o da redistribuição da renda das pessoas que recebem formas fixas de remuneração (trabalhadores assalariados, aposentados e pensionistas) cujos rendimentos são corroídos diariamente pela inflação por aqueles que recebem rendas variáveis ou ajustáveis às alterações dos preços (empresários, rendeiros, profissionais liberais e trabalhadores autônomos) que com isso acabam provocando ou realimentando a inflação. É importante garantir ao País uma economia sólida com investimentos importantes para que a economia siga sem contratempos.