Colunista

Nosso Vinho

24/09/2016 08:00


Gosto de vinho. Meus amigos sabem disso. Esta semana, um companheiro tentou me provocar, quando recusei um vinho no almoço num grupo. Aleguei que, como teria de voltar logo ao trabalho, não podia arriscar saborear o vinho oferecido para ilustrar o encontro. Era um bom cabernet-sauvingnon importado. Mas tendo de terminar um relatório dali a meia-hora, preferia não me oferecer possíveis limitações. E alguém presente chamou-me a atenção dizendo que eu já havia dito em outra ocasião que o "vinho não embebeda". Contestei, nunca diria isso. Insisti, o vinho não deve ser usado para embebedar. Isso afastaria a degustação, o reconhecimento do sabor do vinho. E uma bebida especial como o vinho, sempre, devia ser curtida, jamais abusada. Desafiaram-me nos últimos temposa escrever algo sobre vinho, e meu tranquilo amigo dessas últimas décadas, o enófilo Josué Magalhães, sabe bem disso. E, vejam bem, já descobri duas potencialidades temáticas nos primeiros estudos que adentrei. Sim, há bom material que merece uns livros a respeito, o que logo vou enfrentar com vontade. Primeiramente, tenho de reconhecer que,desde os meus primeiros estudos históricos sobre Suzano já havia encontrado assunto potencialmente interessante sobre o vinho em nossa Cidade. Coisas que iam, pelo menos, do final do século XIX até meados do século XX. Tivemos por aqui não apenas plantadores de uvas, mas cultivadores de vinhedos, empreendedores que também vieram a se tornar valorosos produtores de vinhos. Vou além, pois foram produtores de bons vinhos. Isso merece um registro maior, posto que apenas havia feito citações, algumas poucas referências em livros meus. Um outro ponto, sobre este tema do vinho, que também gostaria de desenvolver é o de retirar esse foco de coisa de elite, de gente rica, e de aprendizado tão complicado para quem deseja iniciar-se na apreciação dessa bebida tão especial. Não participo de nenhuma confraria de amigos-irmãos do vinho, até este momento. Não por falta de interesse ou por falta de convite. Tive, por muitas vezes, nesses últimos trinta anos, pelo menos, condições de participar disso, mas com tantas ocupações fui adiando. Participo de entidades de ajuda social, já participei mesmo da fundação de um clube de serviço na Cidade, então sei que devemos encontrar tempo para atuar numa fraternidade para nos melhorarmos, não apenas o gosto, mas a própria leitura do mundo e das pessoas. E as confrarias de vinho nos permitem isso. Pois, preparem-se, temos mais caminhos a percorrer. Logo estaremos juntos em novas escrita e leitura de livros. Fraternalmente com vinho.