Editorial

Afazeres dom├ęsticos

27/04/2019 23:59


Na semana passada, pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) referente a outras formas de trabalho divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a quantidade de horas dedicadas pelos brasileiros para a realização de afazeres domésticos e cuidados com pessoas é maior entre as mulheres do que entre os homens. 
Pode-se perceber que a situação das mulheres em relação aos trabalhos domésticos não tem avançado. Em uma pesquisa anterior do Instituto mostrava que elas trabalham dez horas a mais que os homens, com jornada dupla e pouca ajuda em casa.
A divisão do tempo entre o trabalho assalariado e o doméstico é a rotina de quase 93% das mulheres e de 78% dos homens que trabalham fora de casa. 
A diferença é que as mulheres trabalham 21 horas por semana em casa, e os homens apenas 11 horas.
Na pesquisa desta semana foi possível observar que a captação das horas é feita junto, porque essas tarefas ocorrem simultaneamente.
Às vezes, a mulher está cozinhando e olhando o filho. 
Ou o homem está fazendo alguma coisa e estudando com o filho, explicou a economista Maria Lúcia Vieira, gerente da PNAD.
A sondagem do IBGE revela que as mulheres dedicam 21,3 horas semanais a essas duas atividades; entre os homens elas caem para 10,9 horas semanais.
"Então, nas mulheres, é o dobro", afirmou Maria Lúcia, à Agência Brasil.
A PNADC abrange afazeres domésticos, cuidados com pessoas, trabalho voluntário e produção para o próprio consumo, categorias definidas como outras formas de trabalho pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) durante conferência internacional, em 2013.
O estado do Amapá e o Distrito Federal são as unidades da Federação que apresentam as menores diferenças entre mulheres e homens que realizam afazeres domésticos no país: 6 pontos percentuais e 6,6 pontos percentuais, respectivamente.
Outro detalhe: quanto mais escolarizado, mais afazeres domésticos faz. 
A população que mais realiza afazeres domésticos está na faixa etária de 25 a 49 anos de idade, considerada bem inserida no mercado de trabalho. Em 2018, essa faixa etária apresentou taxa de 89,4% no país. O número foi bem elevado também para pessoas com 50 anos ou mais (86,2%), caindo para o grupo de 14 a 24 anos de idade (76,4%).
Varrer, cozinhar, lavar a roupa e louça. Essas atividades de cuidados com o lar não aparecem nas estatísticas econômicas, mas o trabalho é o mesmo de faxineiras, empregadas domésticas, cuidadora de idosos e babás.