Inovação

Máscaras de mergulho evitam intubações de pacientes graves em Arujá

Equipamentos foram doados pela Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes

03/07/2020 12:48


As equipes da linha de frente do combate à Covid-19 em Arujá passaram a usar máscaras de mergulho adaptadas para o tratamento respiratório de pacientes graves. O objetivo é evitar que eles sejam intubados, prevenindo assim o aparecimento de outras complicações. Até o momento, cinco pacientes já foram atendidos com o método.
 
Ao todo, são cinco máscaras utilizadas no Pronto Atendimento Central, que fica no Hospital Maternidade Dalila Ferreira Barbosa, e no Pronto Atendimento Médico do Parque Rodrigo Barreto, unidades da Secretaria de Saúde de Arujá administradas via contrato de gestão pelo Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento da Medicina (ITDM).
 
O material foi cedido ao município após contato entre as Secretarias de Saúde de Arujá e Mogi das Cruzes — que já vinha implantando o tratamento. A prática está sendo utilizada em Arujá desde 17 de junho. "É importante destacar a parceria entre os municípios nesse momento de crise sanitária. Essa união é fundamental. É preciso também salientar a atuação do dr. Martino Piatto, cogestor das unidades de pronto atendimento, para viabilizar as máscaras", pontua a secretária de Saúde de Arujá, Carmen Pellegrino.
 
Eficiência das máscaras
 
As máscaras são utilizadas em pacientes com índice de saturação — quantidade de oxigênio no sangue — menor que 90%. "Outra indicação para o uso deste método é a demora para reagir ao uso da máscara de oxigênio convencional ou o catéter, que vai diretamente no nariz do paciente. Se em até 30 minutos não houver melhora desse quadro e a saturação estiver abaixo de 90%, podemos intubá-lo ou colocá-lo na máscara de mergulho", explicou o enfermeiro coordenador Alexandro Faustino.
 
Com a máscara, a concentração de oxigênio disponível para o paciente é maior. "O paciente passa a respirar com mais facilidade, porque conseguimos ajustar a quantidade de ar que pode ocupar a máscara, que envolve o rosto inteiro. O fato do procedimento não ser invasivo também é um ponto positivo, principalmente no caso de pacientes idosos, que ficam ainda mais vulneráveis quando intubados. O procedimento pode evitar a intubação, ou pelo menos adiar a sua necessidade", destacou.
 
O secretário municipal adjunto de Saúde, Martino Piatto, explica que foi necessário um processo de capacitação para a utilização das máscaras. "Para estarmos aptos a utilizar os equipamentos doados, passei por um treinamento multiplicador realizado no Hospital Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. Repassei as técnicas deste aprendizado a 16 profissionais de saúde de Arujá, entre médicos, fisioterapeutas e enfermeiros. Desde então, já estamos utilizando esse método, que tem sido um sucesso, inclusive com estudos na Itália e outros países da Europa", afirma.

De Arujá