Editorial

Fora da lista de devedores

24/11/2020 05:00


O número de devedores no comércio preocupa, apesar de nomes terem saído da lista de inadimplentes.
Recentemente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) produziu um estudo especial sobre o comportamento do endividamento dos brasileiros durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Utilizando os resultados mensais da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a CNC analisou informações sobre o nível de comprometimento da renda do consumidor com dívidas no período, assim como contas em atraso, além da sua percepção em relação à capacidade de pagamento.
Existem hoje no Brasil quase 11 milhões de famílias (10.952.420) que possuem algum tipo de dívida. Há um ano, esse número era 5,8% menor (10.356.426, em julho de 2019). O percentual de endividamento dos brasileiros cresceu durante a pandemia: saiu de 66,2% em março para 67,4% em julho, alcançando o maior nível desde o início da realização da Peic, em janeiro de 2010. Porém, de acordo com a pesquisa, a trajetória crescente do endividamento já era observada antes da crise, com tendência ascendente desde o fim de 2018, acentuando-se no ano passado – coincidindo com o ciclo de redução dos juros.
Na semana passada, o DS trouxe reportagem mostrando que ao todo, 5.214 consumidores saíram da lista de inadimplência, durante outubro, em Suzano. O número é 15,86% menor em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 6.197 consumidores que pagaram as dívidas. Os dados são da Associação Comercial e Empresarial (ACE).
De acordo com os dados da ACE, outubro foi o sétimo melhor mês deste ano em que os consumidores saíram da lista de inadimplência. Agosto lidera, tendo registrado 6.369 exclusões. Na segunda posição vem julho, com 5.811 consumidores que quitaram as dívidas. Com 5.596 exclusões da lista, setembro ficou na terceira colocação. Março, janeiro e fevereiro antecedem outubro, com 5.438, 5.409 e 7.276 exclusões, respectivamente.
Abril, maio e junho fecham a lista como os meses que menos registraram consumidores fora da lista de inadimplência. Junho registrou 3.126 exclusões, maio computou 2.388 exclusões e abril, que teve 1.909.
Segundo a ACE, a variação depende de diversos fatores. Porém, o que mais impacta é o fator econômico. A associação classificou o ano de 2020 como um ano ruim para a economia, com queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB).
O surto da Covid-19 impactou de maneira bem diferente os dois grupos de renda estudados pela pesquisa da CNC. Enquanto a necessidade de crédito cresceu entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, com o percentual de endividamento saltando de 67,1%, em março, para o recorde de 69%, em julho, as consideradas mais ricas aumentaram a propensão a poupar, com este mesmo indicador caindo de 62,1% (março) para 59,1% (julho).