Editorial

Desaparecimento

20/07/2021 05:00


O número de desaparecidos no Brasil em 2019 ultrapassou 79 mil pessoas. A cada dia, no ano passado, 217 pessoas desapareceram no País, enquanto outras 130 foram assassinadas.
Esse levantamento é feito pelo Anuário Brasileiro da Segurança Pública, que só começou a contabilizar os desaparecidos em 2017.
O anuário, porém, fez uma retrospectiva de 2007 a 2016 e registrou uma média de 69 mil pessoas desaparecidas por ano. Esse fenômeno ainda recebe pouca atenção do Poder Público e da sociedade como um todo.
No ano passado, o Anuário Brasileiro da Segurança Pública começou a contabilizar o número de pessoas localizadas; em 2019, foram mais de 79 mil em todo o País. Isso apesar de nove estados da Federação ainda não apresentarem dados.
A primeira atitude para quem passa pelo drama de ter um familiar desaparecido é registrar um boletim de ocorrência numa delegacia de polícia. Atualmente, a polícia civil inicia as investigações logo após as primeiras horas da comunicação oficial do sumiço, usando desde técnicas tradicionais aos mais modernos procedimentos e tecnologias. 
O desaparecimento não é considerado um crime. Na polícia, o trâmite é a realização de um boletim de ocorrência e só há investigação se houver a suspeita de um crime, como homicídio ou sequestro, ou se o desaparecido for uma criança de até 12 anos ou uma pessoa considerada incapaz. Segundo a secretaria, o Boletim de Ocorrência deve ser feito de imediato. 
Realizar o boletim agiliza as buscas pelo desaparecido. A delegacia insere a fotografia da vítima nos sistemas do estado, faz pesquisas de banco de dados da Polícia Civil e de outros órgãos, e comunica a Polícia Federal.
Na edição de domingo, o DS trouxe reportagem mostrando que pelo menos 48 pessoas do Alto Tietê estão desaparecidas na região. Entre elas, homens, mulheres e crianças com idades de 6 a 88 anos. Elas estão inseridas no banco de dados divulgado no site da Secretaria do Estado de Segurança Pública (SSP), que serve como ajuda aos familiares que sonham com o reencontro. 
De acordo com a plataforma da SSP, são 33 pessoas do gênero masculino e 15 do gênero feminino na lista de desaparecidos na região. Entre as cidades do Alto Tietê, Itaquaquecetuba é a que tem o maior número de pessoas procuradas. São 17 pessoas (12 homens e cinco mulheres) desaparecidas. 
Suzano é o município que tem o segundo maior número de desaparecidos na região. Entretanto, ao contrário das demais cidades, a maioria das pessoas sem paradeiro é do gênero feminino. São sete mulheres e quatro homens desaparecidos na cidade (11 ao todo), com idade de 17 a 57 anos. 
Ferraz de Vasconcelos e Mogi das Cruzes possuem no registro oito desaparecidos cada. Sendo seis homens e duas mulheres em Ferraz e sete homens e uma mulher em Mogi. As idades variam de 8 a 79 anos. 
O tema de desaparecimento de pessoas também é pauta recorrente entre deputadas e deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).