Região

Pastorais da caridade ganham importância contra o desemprego

10/10/2021 23:00


Apesar do retorno gradual de várias atividades consideradas não essenciais – motivado pelo avanço na vacinação e pela queda no número de mortes no País -, muitas pessoas seguem sofrendo com o desemprego e a fome. O papel da igreja se torna fundamental neste cenário, já que muitos que precisam costumam procurar ajuda neste local.
 
Nas paróquias, entram em ação pastorais destinadas à caridade. Geralmente compostas por voluntários, a ideia é ajudar, com alimentos e mantimentos, quem está passando necessidade. Várias paróquias de Suzano realizam esse trabalho tão importante socialmente.
 
Cada paróquia tem sua especificidade e as doações feitas vão de acordo com o que é arrecadado pelas pastorais. A Igreja Matriz de Suzano, por exemplo, realizou a doação de mais de uma tonelada de alimentos neste ano. Um grupo de voluntários da paróquia realiza trabalho diário no local para ajudar quem mais precisa.
 
Mas tudo é feito com discrição. O padre Cláudio Taciano diz que o importante é ajudar, e não aparecer. Por isso, ele até pede para que os voluntários não tirem fotos durante as ações.
 
“As grandes instituições de caridade nasceram no berço católico, então é quase uma vocação da igreja fazer ações neste sentido. E fazemos de tudo para ninguém se promover nestas ações. É um trabalho discreto, permanente e constante. Não permito fotos porque a pessoa que precisa de ajuda já vem em situação de sofrimento e até humilhação. Não é certo, na hora de doar, fazer fotos e eu sou muito firme nisso”, destacou.
 
A paróquia Divino Espírito Santos, que fica no Jardim Imperador, não tem uma pastoral de caridade. Mas se engana quem acha que isso limita os membros, que fazem de tudo para ajudar os necessitados. “A gente acaba recebendo doações de alimentos, cestas e produtos de higiene. É um trabalho mínimo. Costumamos registrar em um catálogo as pessoas que vêm pedir aqui. Damos algum alimento ou kit, e depois instruímos a retornarem em um mês, porque como temos poucas doações, temos que controlar”, destacou Ricardo Vergara, padre da paróquia.
 
O padre Luiz Hidalgo, da paróquia Santa Rita, calcula que a pastoral Cáritas - que pertence à paróquia - doa cerca de 15 cestas básicas por mês. Há, inclusive, campanhas que fomentam a doação de alimentos por parte de quem frequenta a paróquia. Tudo pensando em quem mais precisa.
 
“A gente faz visita para ver se a família realmente precisa de ajuda, e temos, uma vez por mês, o ‘Domingo do Quilo’, onde pedimos alimentos para montar as cestas e entregarmos para quem realmente necessita. Isso é da época de Cristo. Ajudar quem mais precisa é seguir o exemplo de Jesus”, contou o padre.
 
Emerson Antônio da Silva, padre da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Jardim Revista, relata que muitas pessoas procuram a igreja pedindo ajuda. Há missas específicas para os fiéis doarem alimentos e, apesar de nova (quatro meses de existência), a paróquia já doou mais de 200 cestas básicas aos necessitados.
 
“Sabemos que, com a pandemia, o desemprego no País aumentou muito. E muitos sabem que realizamos esse trabalho solidário com a comunidade. Juntamos alimentos na missa e, se faltar, a gente faz campanha para que todos sejam atendidos”, afirmou o padre.

Daniel Marques - da Região