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Jornal Diário de Suzano - 22/10/2020

'Brasil atravessa tempestade perfeita', afirma diretor de Estudos da OCDE

21 FEV 2016 - 08h00

O desempenho preocupante de economias emergentes, em particular do Brasil, é um dos destaques negativos do relatório Perspectivas Econômicas divulgado em Paris, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento, escrito em um tom negativo, poucas vezes visto desde a eclosão da crise financeira internacional em 2008, chama atenção pelo temor em relação à imprevisibilidade que paira sobre a economia mundial.

Quanto ao Brasil, o documento é implacável. Para Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia de Portugal e hoje diretor de Estudos de Países do Departamento de Economia da OCDE, não haverá reconquista da confiança interna e externa sem um ajuste fiscal credível, acompanhado de reformas estruturais.

Sobre os números apresentados pela OCDE serem convergentes em relação aos revelados no Brasil, Pereira diz que "as perspectivas são quase as mesmas. As previsões são consistentes com os dados que têm saído sobre a economia brasileira nos últimos meses. Prevemos que este ano ainda será de recessão, um ano difícil. Nos próximos trimestres o Brasil começa a sair dessa situação, mas em um ritmo lento. Estamos prevendo um crescimento nulo, ou muito perto disso em 2017. Haverá uma gradual aceleração da economia brasileira, mas ainda há muitas dificuldades no curto prazo".

Sobre quais são as dificuldades que vê no caminho do Brasil, ele diz que "todo brasileiro conhece bem a questão, na verdade. É importante fazer um ajuste fiscal, que é fundamental para garantir que o Brasil possa sair dessa situação delicada. O Brasil tem uma dívida pública que não é muito elevada, mas já considerável. Além disso, os juros e os encargos são muito elevados. Quando se gasta muito com juros, tem-se menos para gastar em outras áreas".

Questionado se em sua visão, o maior fator de instabilidade é a crise política ou a econômica, Pereira conta que "no fundo o Brasil está atravessando uma tempestade perfeita nos últimos meses. A crise política foi muito difícil, com todos os escândalos de corrupção que ajudaram a derrubar o índice de confiança. Mas o Brasil foi muito afetado pela redução dos investimentos da Petrobras e das empreiteiras, além de enfrentar, como os demais países exportadores de commodities, a queda do preço das matérias-primas. Isso é um choque. Agora aumentou bastante a incerteza quanto ao turismo, relacionado ao zika. O Brasil está passando por um momento difícil".

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