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Jornal Diário de Suzano - 25/09/2020

Etanol em alta considera previsão de reajuste

02 NOV 2015 - 21h28

A curva ascendente dos preços futuros do etanol hidratado na BM&FBovespa indica que o mercado ainda espera para 2016 a elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina. Para ajudar no equilíbrio das contas públicas, o governo tem concentrado esforços na recriação da CPMF, mas um reajuste no tributo incidente sobre o combustível fóssil, atualmente em R$ 0,10 por litro, também estaria sendo considerado, segundo o mercado. Outro fator que dá suporte aos preços do etanol é a expectativa de menor oferta do biocombustível nos próximos meses.

Nos últimos pregões na bolsa paulista, o hidratado para novembro tem girado em torno de R$ 1,590 por metro cúbico, valor que vai a R$ 1,625 em fevereiro de 2016, 2,20% mais. Se forem levados em conta os R$ 1.520 por metro cúbico do contrato outubro/2015, o potencial de alta é de quase 7% até o início do ano que vem. "Além da expectativa de reajuste da Cide, os preços futuros do etanol refletem um aumento do preço da gasolina na refinaria", disse Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

A possibilidade de as duas coisas acontecerem está mexendo também com as cotações futuras de açúcar na Bolsa de Nova York. Isso porque se o preço do etanol ficar mais remunerador as usinas brasileiras tendem a direcionar mais cana para a produção do biocombustível, em detrimento do açúcar. Só em outubro, os futuros do açúcar na bolsa norte-americana acumulam valorização de 13%. "A recuperação do preço do açúcar no mercado internacional reflete esse aumento do preço do etanol", avaliou Nastari.

Estudos do setor sucroenergético apontam que uma elevação da Cide para R$ 0,60 por litro de gasolina geraria uma receita de R$ 14,9 bilhões para o governo, sendo R$ 5,5 bilhões apenas de ICMS. A medida, contudo, teria um impacto de 0,84 ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial. E é por isso que o governo tem receio de aplicar um reajuste do tributo neste ano de inflação beirando os 10%. As discussões continuam em Brasília.

Entressafra

Para Martinho Ono, CEO da trading SCA, a curva ascendente do etanol na Bolsa reflete bem mais o sentimento de aperto na oferta durante a entressafra de cana, que começa em dezembro e vai até março e é marcada pela menor produção de álcool. "Os preços precisam apreciar mais para calibrar a oferta em relação à demanda", explicou.

Conforme ele, atualmente são consumidos 1,6 bilhão de litros de hidratado por mês, volume que deveria diminuir para 1,1 bilhão de litros para que os estoques deem conta da demanda durante a entressafra. Nastari, da Datagro, também não descarta que o mercado futuro em alta esteja relacionado ao abastecimento nos próximos meses.

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