Apesar de confirmar a suspeita de envolvimento de policiais militares na morte de cinco jovens que estavam desaparecidos na Zona Leste de São Paulo, o secretário Estadual da Segurança Pública, Mágino Alves, afirmou ontem, que essa não é a principal linha de investigação do caso. Para o secretário, ainda é "prematuro" relacionar a ocorrência a ação de policiais. Questionado sobre o possível envolvimento de PMs no caso, Mágino admitiu que a hipótese existe mas, segundo o secretário, não é a principal suspeita dos investigadores. "Existem outras duas linhas de investigação que estão sendo levadas a cabo tanto pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) quanto pela Corregedoria da Polícia Militar. Mas não é a principal linha, não", afirmou. O secretário não informou qual seria a principal suspeita dos investigadores. "A gente tem de manter uma certa reserva." Os cinco jovens, com idade entre 16 e 30 anos, desapareceram no dia 21 de outubro, uma sexta-feira. Eles saíram do Parque São Rafael, na Zona Leste de São Paulo, para uma festa em um sítio em Ribeirão Pires. Antes de desaparecer, um deles relatou a uma amiga, pelo WhatsApp, que havia levado um "enquadro" da polícia e teria sido "esculachado". Os corpos dos rapazes foram encontrados no último domingo, em uma área rural de Mogi das Cruzes, depois que um trabalhador foi atraído até o lugar pelo cheiro forte e pela presença de urubus. Os cadáveres estavam em estado avançado de decomposição, enterrados em covas rasas e com cal na superfície. Embora o Instituto Médico Legal (IML) só tenha confirmado a identificação de dois dos cinco corpos, policiais e familiares acreditam que todos eles sejam mesmo dos jovens. "A nossa principal preocupação, até pouco tempo, era de localizar essas pessoas. Infelizmente, elas foram encontradas, como a gente já presumia, sem vida. Agora, nossa tarefa é elucidar cabalmente esses fatos e apurar a autoria", disse Mágino. Peritos encontraram cartuchos de pistola calibre .40, que haviam sido comprados pela Polícia Militar, no terreno baldio onde os corpos foram enterrados.