A regularização fundiária, as obras de infraestrutura e a recuperação ambiental são as “chaves” para a retomada dos bairros impactados por enchentes e deslizamentos depois de fortes chuvas em Ferraz de Vasconcelos, disse o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Daniel Balke.
No DS Entrevista, o vice informou que a cidade tem 30 famílias que saíram de suas casas, por serem locais de risco. No município, estão em alerta os bairros Vila Cristina, Vila São Paulo e Jardim das Flores.
Desde janeiro, a Defesa Civil registrou desabamento, deslizamento e 26 áreas de risco monitoradas, com forte vigilância também na Vila Jamil e alguns pontos da Vila Margarida.
“Nós tivemos cerca de 300 milímetros de chuvas acumuladas desde o início do ano, seguramente, é mais que o dobro do esperado”, disse.
Além dos desastres e impactos nas residências, Balke lamenta a morte de Edinei Gomes de Faria, de 40 anos, encontrado morto entre os escombros após um barranco deslizar e atingir a casa em que ele estava no dia 24 de fevereiro, no bairro Vila São Paulo.
Depois das fortes chuvas, Ferraz precisou decretar situação de emergência e a criar a Comissão de Gestão de Crises, no qual Balke integra e é composta por todas as secretarias, Defesa Civil, Bombeiros e Polícia Militar.
Segundo Balke, o estado de emergência foi elaborado para agilizar o serviço público e obras de infraestrutura, com a possibilidade de fazer contratações emergenciais. O decreto não tem previsão de término.
O secretário considera a situação atual de Ferraz como “uma das maiores tragédias da história da nossa cidade, se não a maior”.
Área mais atingidas
Dos locais mais impactados pelas enchentes e deslizamentos, a Vila Cristina e a Vila São Paulo são os bairros que estão sob alerta constante, afirmou Balke.
De acordo com o mapeamento das áreas de risco, o primeiro bairro era monitorado e tinha previsão de ocorrências, nele foram registrados sete deslizamentos. Mas a segunda vila não era considerada de risco.
Impossibilitada de receber construções, a Vila Cristina precisa receber recuperação ambiental com urgência, uma vez que as residências são irregulares e construídas em uma Área de Preservação Permanente (APP), disse o vice-prefeito.
Neste período, desde o início do ano, 20 moradores foram retirados e mais 80 casas estão com laudos de interdição da Defesa Civil, além de 300 residências na encosta do bairro que podem ou não ser desocupadas.
Diante deste cenário, a Prefeitura de Ferraz contratou uma equipe para estudar caso a caso e verificar possíveis fissuras e a situação do solo.
“A ordem é de retirada das pessoas que tiverem com laudo de interdição da Defesa Civil. Saiam das casas, solicitem o auxílio-moradia que está muito rápido; a partir da entrega de todas as documentações há uma verificação e em 24 horas o dinheiro está na conta para procurar uma moradia”, explicou.
Auxílio
A Prefeitura de Ferraz e Câmara dos Vereadores elaboraram e aprovaram uma lei de auxílio-aluguel habitacional. A política pública é um aluguel social de R$ 600 pago com verba da Secretaria de Desenvolvimento Habitacional, Relações Comunitárias e Favelas, já em funcionamento. O pagamento está previsto para permanecer por, pelo menos, dois anos.