Especialistas ouvidos pelo DS defendem que os prefeitos da região precisam construir acordos e parcerias para buscar ajuda dos governos estadual e federal neste novo mandato que se inicia.
Questionados sobre como analisam os 100 dias de governo Lula e Tarcísio e como os novos mandatários podem ajudar o Alto Tietê, Afonso Pola e Eduardo Caldas foram enfáticos ao dizer que ainda é cedo para saber os benefícios que a região teve com esses governos, além de concordarem que os prefeitos precisam se unir em prol do Alto Tietê.
Alto Tietê
Para o cientista político Eduardo Caldas, colunista do DS, a maior expectativa de investimentos na região é por parte do governador. Mas ele reforça que um conjunto entre os prefeitos, e maior fortalecimento do Condemat, seja necessária para buscar apoio nos ministérios.
“Precisa de uma organização dos prefeitos com o governador e os ministérios. A região precisa de um projeto estruturante. Projeto estruturante para a zona leste, para o Alto Tietê. Temos um monte de remendo. Só com um projeto assim podemos levar demandas para os ministérios”, disse Eduardo.
Na opinião do sociólogo Afonso Pola ainda é cedo para uma avaliação de como os dois governos podem ajudar a região, mas defende que os parlamentares estaduais e federais façam cobranças conjuntas.
“Temos que pensar nos parlamentares, se eles vão se articular, independente das diferenças partidárias. O político tem seus compromissos com os partidos, mas sempre defendi que os parlamentares estaduais e federais façam cobranças conjuntas”, afirmou.
Afonso Pola cita ainda que as cidades da região são muito diferentes entre si. Ele fala em Mogi das Cruzes como a mais desenvolvida e que Suzano caminha para a mesma posição, “mas outras, como Ferraz, Itaquá e Poá são carentes em políticas públicas”.
Entre os investimentos principais que a região precisa, segundo Afonso Pola, é na área da saúde. Ele afirmou que Mogi hoje é muito sobrecarregada por conta da população de outras cidades que vão até a cidade para passar em consultas.
Condemat
Os dois especialistas reforçaram a necessidade de fomentar as ações e o peso do Condemat para buscar ajuda e emendas para o Alto Teitê.
“O Condemat tem assumido um papel mais importante, mas ainda é tímido. Se não tiver essa política articulada, ele não será bem utilizado. Nos anos 80 as prefeituras do Grande ABC formaram um espaço de discussão que trouxe benefícios para a região. Então o Condemat pode mais. O que não pode é haver vaidade entre os prefeitos”, concluiu Afonso Pola.
Para Eduardo Caldas o Condemat pode ser um bom meio para criar um projeto estruturante na região. Ele dá o exemplo das ciclovias. “Com o tanto de ciclistas pelas cidades, como não temos ciclovias interligando as cidades? Eu deveria conseguir ir de Mogi para Poá por ciclovias”, reforçou.
Governos
Na análise dos governos Lula e Tarcísio, Eduardo Caldas falou em “alívio” ao comentar sobre o mandato do petista. “O outro foi desastroso. Foi uma política de ódio. Por isso trago esse elemento do 'alívio' ao comentar o mandato de Lula”.
Eduardo ainda afirmou que o primeiro ano de Lula será de ajustes, uma vez que o orçamento deste ano já foi aprovado em 2022.
Para Afonso Polo falou que Lula tem mais trabalho do que Tarcísio, uma vez que o governo Bolsonaro deixou o País mais carente de programas sociais.
Sobre Tarcísio, Eduardo comentou sobre a privatização da Sabesp, que na opinião dele é incompreensível, uma vez que a empresa dá muito lucro ao Estado. “O estado é dono de 50.25% das ações. Por que quer deixar de ser sócio majoritário? Dando lucro, o Estado é o maior beneficiário”.
Afonso lembrou o fato de Tarcísio ser natural do Rio de Janeiro, e falou que o novo governador “recuou após assumir, após ver a dimensão do Estado e sentir um pouco perdido do que precisava fazer”.