Aos 26 anos, Fabrício Augusto prepara-se para ocupar um dos espaços do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), com um trabalho que começou a tomar forma a 30 km da capital paulista. Nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, no extremo leste da Região Metropolitana de São Paulo, o fotógrafo, produtor cultural, diretor e documentarista foi selecionado para o programa Nova Fotografia 2026, do MIS, com o ensaio "Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil".
O projeto nasceu de uma experiência de intercâmbio cultural que levou Fabrício a Belém do Pará para pesquisar e fotografar o Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas, culturais e populares do Brasil. Em 2025, o artista foi convidado pelo Mídia Ninja e pela Casa Amazônia para cobrir o festejo. A experiência deu origem ao ensaio que agora chega ao MIS.
A seleção para o Nova Fotografia 2026 ocorreu entre mais de 500 inscritos. Fabrício está entre os seis artistas selecionados para esta edição e é o mais jovem deles.
A exposição parte da fotografia documental para observar o Círio para além da representação da fé. O ensaio acompanha os pagadores de promessas, a multidão que percorre as ruas, os gestos de cuidado, a distribuição de água, a organização coletiva e as práticas de solidariedade que surgem durante o percurso.
As 20 fotografias aproximam o visitante dessas experiências por meio de planos fechados, luz e sombra, texturas e cenas amplas. Contrapondo sagrado e profano, a exposição alterna imagens associadas à profissão de fé e à interação dos corpos, criando um contraste visual que atravessa todo o trabalho. A intenção é aproximar fotografia documental e arte contemporânea e tensionar a distância entre quem observa e quem participa.
O resultado é um registro do Círio como catarse coletiva. A devoção a Nossa Senhora de Nazaré é entrelaçada a questões de memória, pertencimento, identidade e transformação social. O trabalho observa os corpos em movimento e os vínculos que são formados nas ruas, onde a fé convive com manifestações culturais e práticas populares.
Para Fabrício, ocupar o MIS com esse trabalho amplia uma trajetória de uma década dedicada à fotografia. “Existe uma distância geográfica entre Ferraz de Vasconcelos e Belém, mas ela não muda a existência de uma conexão muito forte na maneira como a cultura, a fé e a vida coletiva atravessam esses territórios. Chegar ao MIS com esse trabalho é também levar comigo o lugar de onde eu vim e tudo o que ele representa na minha formação”, afirma.
A exposição "Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil" reúne, assim, duas geografias que atravessam a trajetória de Fabrício. O território onde nasceu e construiu sua formação artística e o Norte do país, onde encontrou o tema que agora chega a uma das principais instituições culturais de São Paulo.
A abertura da exposição será realizada em 6 de outubro, às 19h, no MIS-SP. A inauguração ocorre cinco dias antes da procissão de 2026, que será realizada em 11 de outubro.
Serviço Exposição:
"Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil"
Artista: Fabrício Augusto Programa:
Nova Fotografia 2026
Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo, MIS-SP
Abertura: 6 de outubro de 2026, às 19h
Sobre Fabrício Augusto
Fabrício Augusto, 26 anos, é fotógrafo, produtor multimídia e documentarista, nascido e residente em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. É estudante de Antropologia e Produção Multimídia e tem formação em Produção Cultural e Agente Cultural pelo SENAC São Paulo, além de extensão em Autoprodução de Projetos de Arte e Cultura e Memória e Território pela Universidade de São Paulo.
Em sua trajetória como fotógrafo, desenvolve projetos autorais como "Meu Corpo É", sobre questões relacionadas ao corpo nu, e "TransCidades", dedicado a pessoas trans e travestis. Em 2024, completou dez anos de carreira com a exposição "Trajetos e Trajetórias: Uma Década de Fotografia", que posteriormente também integrou ações pedagógicas das escolas municipais de Ferraz de Vasconcelos.
Desde então, seus trabalhos passaram por instituições como o Museu das Favelas, o Museu de Arte do Espírito Santo, o Centro Cultural Octo Marques, o MIS-Araraquara e outros espaços culturais de São Paulo e do país.
Entre 2023 e 2024, Fabrício morou fora do país, em Toronto, no Canadá, onde trabalhou com artistas como Emicida, Luedji Luna, Gilsons, Bia Ferreira, Tassia Reis e Jorge Aragão, além de colaborar com produtoras locais em festivais como Mixto Festival, OssFest e BrazilFest.
No audiovisual, dirigiu e produziu filmes autorais como "O Som do Silêncio" (2020), "A Vida Real" (2021), "Todo Menino É Um Rio" (2022), "Os Fios do Sertão" (2023), "Vozes de Casa" (2025), este último em processo de pesquisa e “Retalho Marginal” (2026) com previsão de estreia em novembro de 2026. "A Vida Real" circulou com o Museu das Favelas na exposição itinerante "Favela é Giro". Pelo conjunto de sua atuação, recebeu prêmio de honra no 1º Festival de Cinema de Ferraz de Vasconcelos. Em 2026, inicia a produção do seu sexto filme independente e autoral, “Mesmo Quando Não é Fevereiro” , retratando a história do Carnaval de Ferraz de Vasconcelos com estreia prevista para o segundo semestre de 2027.
Como produtor cultural, sua atuação também se estende ao teatro, com trabalhos em produções como "Sábado de Aleluia", do Teatro da Neura, contemplado pelo ProAc, além de "A Morta Mais Linda da Cidade", "A Última Virgem", "Corpos Marginais", "BRINCANTES", "(H³O)mens", "Anatomia do Fauno" e "Meninos Também Amam".
Cirio de Nazare - (Foto: Divulgação/ Fabrício Augusto)