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Duas em cada dez pessoas caem em golpes digitais, alerta especialista

Dados foram citados pelo especialista em segurança e ex-delegado de Suzano, Jorge Lordello

13 outubro 2026 - 08h30 Por Yasmin Torres - da Reportagem Local

Cerca de 40 milhões de brasileiros registraram boletins de ocorrência após perderem dinheiro com golpes digitais no ano de 2025. Os dados foram citados pelo especialista em segurança e ex-delegado de Suzano, Jorge Lordello. Segundo ele, duas a cada dez pessoas caem em fraudes eletrônicas.

O DS procurou o especialista para entender como esses crimes virtuais ganharam força e como a população deve se prevenir contra eles. Ele enfatizou que a variedade de golpes e o uso de técnicas de engenharia social, potencializadas pela inteligência artificial, aumentam o risco de prejuízos financeiros.

Para Lordello, o volume das fraudes eletrônicas e os prejuízos causados por elas já superam, em muitos casos, os crimes patrimoniais praticados nas ruas. “É preciso ter cuidado com os golpes digitais. É mais fácil identificar uma situação de perigo quando ela acontece na rua, mas, no ambiente digital, o problema pode ser ainda maior e gerar perda financeira muito mais significativa”, explicou.

De acordo com ele, os crimes virtuais podem acontecer de duas maneiras principais: após ter o celular roubado ou após acessar links enviados por golpistas. “Vivemos uma verdadeira epidemia de fraudes digitais. É fácil ter o celular roubado e praticamente todo brasileiro recebe todos os dias um e-mail, uma mensagem de WhatsApp ou um SMS que pode ser uma tentativa de golpe”, disse.

O especialista acredita que esse tipo de crime ganhou força entre 2020 e 2021, na época da pandemia da Covid-19. “Com muitas pessoas em casa e sem atividades, surgiu uma rede obscura na qual esses criminosos passaram a ensinar uns aos outros maneiras de ganhar dinheiro com os golpes”.

Segundo Lordello, os golpistas costumam ser jovens que procuram cadastros e informações pessoais das vítimas. “Muitas vezes, essas informações são obtidas de forma ilícita a partir de empresas públicas e privadas”, ressaltou. Lordello ainda afirmou que “verdadeiras centrais de telemarketing do crime foram criadas, com duas a cada dez pessoas caindo em golpes digitais”.

Os alvos são mais focados em idosos, mas o especialista alertou que qualquer um pode cair em uma fraude eletrônica. “As vítimas estão em uma faixa etária muito ampla, aproximadamente dos 22 aos 70 anos. Mesmo com a categoria que prefere atacar idosos, o uso das informações pessoais da população é um fator crucial que acaba fazendo as vítimas acreditarem no golpe”, explicou.

Inteligência Artificial

Com o avanço das tecnologias, a Inteligência Artificial se revelou como uma ferramenta muito usada nos crimes virtuais. Lordello disse que já viu casos em que R$ 1 milhão foi movimentado da conta de uma vítima que recebeu uma chamada de vídeo falsa do gerente do próprio banco.

No caso, o especialista chama a atenção para o fato de que a ligação foi feita em um número diferente do verdadeiro gerente. “Precisamos estar atentos em cada detalhe. Depois que a vítima clicou nos links enviados pelos criminosos, foram transferidos R$ 400 mil da conta e ainda fizeram um empréstimo de R$ 600 mil. Depois, o banco informou que nada poderia ser feito”.

Como se prevenir

Diante da sofisticação das abordagens, a principal recomendação de Lordello é adotar uma postura preventiva no uso do telefone. “É preciso ter segurança e saber, a todo momento, o que está acontecendo com o seu celular. Tenha cautela e não acredite automaticamente em nada do que receber. Verifique e fale diretamente com a pessoa ou com o órgão envolvido pelos canais oficiais. Isso vale tanto para situações boas quanto ruins”, destacou.

Entre as medidas que podem ser adotadas dentro de casa, o especialista recomenda que as famílias criem um código de segurança para confirmar a identidade de parentes em situações de emergência. “Os familiares podem se reunir pessoalmente e estabelecer uma senha que somente eles conheçam, como o nome do primeiro cachorro da família”, disse. Assim, Lordello explicou que “se alguém ligar dizendo que sequestrou um familiar, por exemplo, você pode pedir a senha. Se a pessoa não souber, é um sinal de que aquela história pode ser falsa”.

Ele também recomenda limitar os valores disponíveis em contas acessadas pelo celular usado no dia a dia. “Para quem está acostumado a fazer pagamentos pelo aplicativo, uma alternativa é ter uma conta destinada apenas às despesas do dia a dia, com valores menores. No entanto, o ideal é utilizar um banco que permita estabelecer limites para transferências e que possibilite bloquear operações como empréstimos e investimentos”, concluiu.

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