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Política

Ministério Público menciona visita do prefeito de Itaquá a Milton Leite em cadeia de Mogi

Eduardo Boigues (PL) confirmou o encontro com o ex-vereador, preso desde setembro, e afirmou que tratou de prestação de contas eleitorais

19 outubro 2026 - 12h59 Por Yasmin Torres - da Reportagem local

O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues (PL), visitou o ex-vereador Milton Leite na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes no dia 8 de outubro. A visita foi mencionada em uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura possíveis regalias concedidas ao político durante a prisão. A assessoria de imprensa de Boigues confirmou o encontro e afirmou que o prefeito tratou exclusivamente de prestação de contas eleitorais.

Segundo a nota, a reunião teve como objetivo discutir a prestação de contas de uma aliança eleitoral formada para as eleições de 2026. “O encontro serviu para Boigues deliberar sobre a prestação de contas de uma dobrada das eleições proporcionais de 2026, uma vez que Leite continua sendo presidente do União Brasil paulista, além de forte liderança na Direção Estadual da Federação União Progressista - formada pelos partidos União Brasil e PP”.

De acordo com a manifestação, as duas legendas firmaram uma aliança eleitoral com Boigues para a campanha de Marcello Barbosa (Republicanos), candidato a deputado estadual apoiado pelo prefeito.  Foi informado também que “durante a visita na Delegacia não houve nenhum tipo de tratativa entre Boigues e Leite fora deste escopo”.

Ainda em nota, informaram que o prefeito esteve na unidade fora do horário de expediente da Prefeitura. “Boigues esteve no local fora do horário do expediente da Prefeitura e sem restrições de acesso, uma vez que, como delegado de Polícia há mais de 25 anos, tem conferido livre trânsito aos equipamentos de custódia do Estado”.

Além disso, a assessoria ressaltou que Milton Leite permanece preso temporariamente e que as investigações ainda não foram concluídas. “O delegado lembra, inclusive, que, em que pese a gravidade das acusações contra Leite, este segue detido de forma temporária. Não há, ainda, resultado final das investigações e condenação com trânsito em julgado”, disse a assessoria, em nota.

No fim, a nota finalizou dizendo que “Boigues respeita o trabalho da Imprensa e do MP e, ciente que nada de ilícito fez, está à disposição da Justiça, como de praxe, em nome da verdade e da legalidade”.


MP apura visitas fora do horário permitido

A visita de Boigues foi citada na investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre possíveis regalias concedidas a Milton Leite. Na última sexta-feira (16), o órgão cumpriu mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e no 1º Distrito Policial, que funcionam no mesmo endereço.

Segundo o MP, o ex-vereador recebia políticos e pessoas sem vínculo familiar fora dos dias e horários permitidos, com possível facilitação de um carcereiro. A investigação também apura a entrada de itens não autorizados na unidade.

Durante a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com o carcereiro suspeito de favorecer Milton Leite.

Preso em 18 de setembro, durante a Operação Vectura Corrupta, o ex-vereador é investigado por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação apura a suposta infiltração da facção em empresas de ônibus e no poder público.

A defesa nega que o ex-vereador tenha recebido tratamento privilegiado. Em uma manifestação anterior, os advogados afirmaram que Milton Leite "não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado" na prisão.

“Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento”, afirmou a defesa.

Outros visitantes 

O Ministério Público relatou ainda outros visitantes. No dia 9 de outubro, um veículo oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) esteve na unidade prisional. Uma pessoa no carro teria características semelhantes às do deputado estadual Alex Madureira, mas a placa não estaria vinculada ao gabinete do parlamentar, conforme o site da Alesp.

A assessoria de Madureira negou a visita e afirmou que ele cumpriu compromissos públicos na região de Piracicaba naquela data. O deputado reiterou que não esteve com Milton Leite.

O MP também apontou a suposta presença de Edilson Ricardo da Silva, ex-policial militar condenado por integrar uma quadrilha armada que participou de ataques em Guararema, em 2009.

Ainda em 8 de outubro, uma caminhonete pertencente à empresa Construtora Incorporadora e Comércio Neumax Ltda, administrada por Milton Leite e familiares, entrou de ré no estacionamento, em uma manobra considerada pelos investigadores compatível com a entrega de objetos. O advogado Luis Carlos Moraes Caetano, ex-diretor da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), estaria no veículo.

Outro carro, registrado em nome do advogado Paulo Ricardo Teixeira Leite, estacionou em frente ao 1º Distrito Policial, em posição que, segundo o MP, dificultaria a visualização de objetos eventualmente transportados.

As defesas dos demais citados ainda não se manifestaram.

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