Os comerciantes do entorno do antigo prédio do Restaurante Popular de Suzano questionam qual o destino final do prédio. O imóvel está desativado desde 2017 e distribuía refeições de baixo custo. Atualmente, o espaço segue em retaguarda para o serviço de acolhimento emergencial de pessoas em situação de rua e está integrado ao Quarteirão Social que oferta serviços assistenciais.
A estrutura está localizada na Rua Doutor Felício de Camargo, 622, no Centro do município.
A iniciativa da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, de abrigar os moradores de rua no antigo prédio do Restaurante Popular, é apoiada pelos comerciantes do entorno. No entanto, é destacado que os serviços somente são ofertados em temporadas de frio extremo e nos demais dias não há acolhimento no local.
A proprietária da loja World Case, Deise Silva, explica que apenas viu o abrigo aberto duas vezes. Sendo uma em meados de junho do ano passado e agora em maio quando ocorreu uma frente fria na região.
“O abrigo não funciona diariamente, pelo que percebi. Aparentemente apenas em ocasiões que ocorrem uma brusca queda de temperatura. Em maio, na primeira quinzena houve essa queda, mas não foi aberto de imediato para os moradores”, complementa. Segundo a proprietária, houve casos das pessoas em situação de rua, que foram em sua loja questionar sobre abertura do prédio. Nessas ocasiões, os moradores ficam esperando no entorno, já que não há informativos na porta.
“Se reúnem no prédio ao lado para esperar abertura do portão, mas quase sempre o serviço não é ofertado. O prédio deve permanecer aberto 24 horas por dia para dar assistência a esses moradores”, opina.
A estagiária de uma advocacia Gabriela Almeida também apoia a iniciativa da secretaria, mas enfatiza que viu poucas vezes o prédio aberto. “A ação da secretaria é boa. Porém tem que ser feito efetivamente e não apenas em temporadas de frio. Essas pessoas necessitam do acolhimento em todos os meses do ano”, completa.
Há quem pense diferente sobre ceder o prédio para essas ações de acolhimento. É o caso do proprietário de um estacionamento, Eduardo Roberto. “Apoio a iniciativa da prefeitura de acolher os moradores de rua. No entanto, ceder este prédio na região Central não é o adequado. Já vi diversas vezes esses moradores que não conseguiram vaga, ficar fazendo bagunça em frente ao prédio”, diz.
O presidente da Associação da Melhor Idade, Marcos Antônio Costa, O Marquinho da Melhor Idade, opina a respeito da situação do prédio do restaurante Popular. Para o presidente, o local deveria ser um novo centro de assistência às pessoas em situação de rua, devido ao tamanho do imóvel.
“É desumano a situação na qual o prédio está. Deveria ser utilizado para dar assistência a estes moradores diariamente, já que o espaço é grande e tem a possibilidade de ampliar a quantidade de vagas”, afirma. Ele destaca que o prédio é um patrimônio, federal e municipal, e deveria decidir o destino final, porque houve gastos para o município. “Um patrimônio do país, deixar o prédio abandonado é um mal dinheiro do povo investido. Já que são gastos públicos”, completa.
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social informou que atualmente, o antigo prédio do Restaurante Popular não é mais utilizado para o acolhimento das pessoas em situação de rua. Agora o serviço é oferecido pelo Centro Social Bom Samaritano, administrado pela entidade Cáritas Suzano. O município possui convênio com a entidade e oferece 50 vagas permanentes.
Em razão da recente onda de frio, o número de vagas foi elevado para 80 na última sexta-feira (10/06) e todas estão preenchidas. Porém, o antigo prédio do Restaurante Popular segue como reserva em caso de urgência.
O Centro Social Bom Samaritano está localizado na rua General José Galetti, 12, no Jardim Nazareth. A entidade oferta banho, kit de higiene, alimentação e também faz o encaminhamento a outros serviços.