A alta dos alimentos tem afetado o preço das refeições básicas, em restaurantes de self-services, marmitas e pratos feitos de Suzano. Mesmo fazendo reajustes diários nos cardápios, os proprietários afirmam que continuam com uma pequena margem de lucro. O proprietário do Restaurante Churrascaria Gaúcha Suzano, Rafael de Lima Vieira, fez um reajuste de 5% no valor dos pratos feitos, correspondente a R$ 2 a mais no valor final. O forte do estabelecimento são pratos de churrasco com acompanhamentos a escolha dos clientes, ou a opção do quilo ou da marmita.
O comerciante optou em trocar o corte mais nobre do boi para os cortes mais baratos. Com a elevação no preço dos produtos do ramo alimentício, Vieira afirmou que a saída é renovar o preço dos produtos diariamente no cardápio. “Optei em trabalhar com outros tipos de corte bovina que tem o preço mais em conta”, explica. O restaurante está trabalhando com a diversidade de receitas com frango, linguiça e até mesmo a carne de porco é uma opção de custo benefício.
Outro comércio que vendia churrasco todos os dias era o Pague Pouco, localizado na Rua Felício de Camargo. “Com a alta da carne, tínhamos duas escolhas: aumentar o quilo do churrasco e não vender ou fechar esse setor. Desde de fevereiro não vendo mais churrasco. Mas a carne vermelha está presente no cardápio”, explica a proprietária do Restaurante Pague Pouco, Marisa Miranda.
O cardápio do comércio é extenso, então consegue fazer uma rotatividade nas receitas oferecidas aos clientes.
“A margem de lucro está melhorando aos poucos, mas sigo com esperança que melhore ainda mais”, afirma Marisa Miranda.
O Restaurante Kilo Nobre optou em trabalhar com dois tipos de pesagem na balança para não ter prejuízo com a carne bovina. A primeira é pesada proteína como frango e linguiça. Já a carne bovina está sendo pesada a parte nas refeições por quilo.
No setor de churrasco, apenas a carne bovina está custando R$ 95 Já itens como salmão o quilo está custando R$ 160. “Ainda assim, a carne bovina foi reduzida no cardápio. Foi o item que mais subiu nos últimos meses”, diz o caixa Anderson Benjamim.
Parte das carnes bovinas consumidas na região é transportada de fazendas do interior de São Paulo. Quando chega aos restaurantes os valores já são somados com o preço do item mais o frete do transporte, que também são repassados para os açougues.
Ao contrário dos demais, o restaurante Medalhão, localizado na rua Benjamin Constant, permaneceu com a carne bovina no cardápio, inclusive com promoções diárias. Um prato a la carte com bife acebolado custa em torno de R$ 16,90. Já refeições como Virado Paulista e Feijoada completa são vendidas a R$ 18,90.
Segundo o gerente Paulo Minoro Ioshida, os clientes fixos do restaurante são lojistas que trabalham na região central e pagam com Ticket Refeição, que tem um limite baixo.
“É difícil repassar o preço, os clientes vão reclamar mesmo que suba R$ 1. Prefiro manter o preço e vender mais, com uma margem de lucro pequena. Do que não vender nada”, opina o gerente.
No restaurante, houve uma queda na encomenda de salgados para festas, antes da pandemia fabricava cerca de 10 mil por dia. “agora a fabricação é menos da metade. Os reflexos da pandemia ainda são gritantes para os comércios”, disse.