Mais uma edição do programa "Biblioteca Ostentação - Clube do Livro do Escritor Sacolinha" foi exibido nesta terça-feira (28). Para este sexto episódio, o convidado foi o professor de História e fundador da UneAfro Brasil, Douglas Belchior.
O escritor realiza, toda última terça-feira de cada mês, um programa com um convidado diferente, onde debate um livro de literatura. Nesta terça a obra escolhida é ``Quarto do despejo – diário de uma favelada”, da escritora Carolina Maria de Jesus.
Quarto de Despejo é uma obra composta por 20 diários escritos ao longo de 5 anos, por uma mãe solteira catadora de lixo em uma periferia de São Paulo. Longe de ser um diário comum, retrata com fidelidade a vivência na favela do Canindé.
“Quando li a primeira vez em 2003 foi emocionante, a história da escritora faz pensar sobre a própria história da minha mãe. Tudo que a Carolina escreveu sobre a favela é atual. Tudo que sou é graças a Carol, fez eu querer escrever sobre a favela e periferia do ponto de vista de quem vive dentro”, afirma o escritor.
Na obra a escritora debate sobre os problemas do passado e do futuro. O principal ponto do livro é abordar a dificuldade das famílias em pobreza extrema que passam fome no dia-a-dia.
“O livro é uma crítica social atual, porque hoje o país tem 33 milhões de pessoas passando fome. Leva a refletir, mesmo na época que foi escrito o país não mudou, houve um período que o Brasil saiu do mapa da fome. Mas não impediu que famílias passassem necessidade”, completa o professor. Para a Sacolinha, a fome tratada no livro é real, que acaba se tornando uma personagem. “O livro nasceu da necessidade da Carol enganar a fome. Em um trecho, Carolina diz que substitui a fome pela escrita. ‘quando não tenho o que comer, para não xingar eu escrevo”, comenta o escritor. Sacolinha e o professor também destacaram que a crítica social do livro é recente. Durante a pandemia, em 2020, havia diversas propagandas, debates e organizações que se juntaram para influenciar no combate à fome.
“Eram mais de 19 milhões de pessoas passando fome naquela época. Em 2021 aumentou mais 14 milhões. Agora se percebe que há pouca mobilização sobre esse tema. Quem passa fome são as Carolinas, que sempre sofreram. O Brasil é um uma favela do Canindé na beira do rio Tietê”, diz o professor.