A falta de semicondutores usados na montagem de carros zero quilômetro continua afetando as montadoras brasileiras em 2022 e pode comprometer a cadeia produtiva, que inclui empresas sediadas em Suzano. Para evitar que a situação se agrave, o Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano vem mantendo contato permanente com as fábricas da cidade e buscando alternativas conjuntas para manter os empregos e garantir a produção durante este momento de crise.
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a escassez de semicondutores já provocou, somente este ano, a paralisação de 14 das 59 montadoras do Brasil. A última fábrica a anunciar paralisação por causa da falta de componentes foi a Volkswagen, que deu férias coletivas de 20 dias aos funcionários da fábrica de São Bernardo no mês de maio. E mais montadoras podem fazer o mesmo daqui para frente.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano, Pedro Benites, está atento à situação e explica que existem pelo menos três empresas na cidade que fornecem peças para as montadoras. São os casos da NSK, Niken e Uliana. "Quando uma montadora dá férias coletivas, ela acaba afetando toda a rede de fornecedores e ninguém quer isso. O Sindicato tem uma boa relação com as empresas da cidade e está trabalhando de forma conjunta para garantir a manutenção da produção e das vagas dos funcionários", explica.
A falta dos semicondutores ocorreu de forma mais intensa no ano passado e foi agravada devido à guerra da Ucrânia, pois a invasão russa comprometeu o fornecimento de 60% da produção mundial de gás neon, elemento fundamental utilizado na gravação a laser dos semicondutores. Cada carro usa entre 600 a 1,2 mil semicondutores, dependendo do modelo. A tendência é que a crise diminua até o final deste ano.
Benites lembra que, quando a crise dos semicondutores passar, a demanda voltará a crescer e as empresas precisarão estar com a produção preparada para atender aos pedidos. Por isso, segundo ele, o Sindicato está dialogando com as empresas para antecipar férias e conceder folgas aos trabalhadores com base em banco de horas, sempre que isso for possível, evitando assim as demissões.
O Sindicato também está fechando acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) com as empresas. Somente este ano já foram quase 50 acordos do tipo. Quando um acordo é fechado, são definidas metas a serem cumpridas pelos trabalhadores, incluindo redução de custos e de despesas. O resultado final é medido após um ano e, se a meta for cumprida, cada funcionário recebe uma parte desse total.