quarta-feira 30 de setembro de 2026 Logo Rede DS Comunicação

Assine o Jornal impresso + Digital por menos de R$ 34,90 por mês, no plano anual.

Ler Jornal Assine
Jornal Diário de Suzano
Envie seu vídeo (11) 4745-6900
Cidades

Atraso de pagamentos e ameaças nas ruas marcam rotina de recenseadores

‘É muita humilhação trabalhar para o IBGE. A população não respeita’, disse um dos contratados para o Censo

28 setembro 2022 - 05h00 Por Guynever Maropo - de Suzano
Os recenseadores de Suzano estão se desligando do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) após demora na liberação do pagamento.
 
Recenseadores se queixam de atrasos na liberação de uma ajuda de custo pela atividade de treinamento. Também há críticas por supostas pendências no pagamento pelo trabalho em setores censitários onde as entrevistas já teriam sido concluídas.
 
Os recenseadores ainda destacam o mau trato da população ao responder a pesquisa. Além disso, eles têm recebido ameaças após deixar os recados nas casas para marcar um horário da entrevista.
 
De acordo com a recenseadora Claudia Pirozzi, a cada casa não atendida o recenseador deve retornar outras três vezes em horários distintos. 
 
Claudia deixa um recado orientando o morador a marcar um horário para a coleta de dados. Junto com o recado, tem um informativo sobre a multa caso não responda o Censo.
 
"É muita humilhação. Dependendo do setor, o supervisor exige que retorne até seis vezes na residência. Imaginei que trabalhando onde moro seria bem recebida. Fui muito maltratada e humilhada. Com o informativo da multa, até ameaças sofri”, contou.
 
A recenseadora coletou um setor com 226 domicílios. Desse setor urbano, cada casa atendida corresponde a R$ 0,90. Claudia vai receber R$1,2 mil no total com todas as visitas. Como ela fez mais um setor com 119 casas, a estimativa é que receba R$1,7 mil. Os valores não tinham sido pagados até o fechamento desta reportagem.
 
No começo da coleta, Cláudia tinha uma carga horária de 25 horas semanais, cumprida em qualquer horário do dia a partir das nove horas.Depois, ela contou que a carga horária já não era estipulada, tinha que, apenas, contabilizar os resultados da coleta. Claudia afirmou que não vai renovar o contrato no próximo dia 29.
 
“Estudei muito para passar no concurso do IBGE. Não pensei que passaria por tanta humilhação. A população não entende a importância do Censo. Não quero mais ser destratada para receber tão pouco”, contou.
 
A dona de casa Silvana Leite, trabalhou apenas uma semana como recenseadora do IBGE. Silvana foi a 30 casas, destas, apenas oito responderam à pesquisa. O IBGE apenas fez o pagamento do curso realizado por Silvana. O valor das casas atendidas ainda não foi pago.
 
Silvana desistiu do trabalho devido ao mau atendimento dos moradores. “Fiz apenas uma semana e desisti. Quando atendiam diziam que não tinha tempo e pedia para retornar outro dia. Quando voltava era a mesma situação. Apenas consegui realizar a pesquisa na casa de conhecidos. Atuei no Jardim Monsião”, informou.
 
A conta bancária de Silvana, aberta para o pagamento do IBGE, foi cancelada. Ela criou expectativa para trabalhar no IBGE. “Foi tudo uma ilusão. Nada do que prometeram, eles realizaram. Imaginei que o ganho seria ótimo. Agora, nem sei se vou receber pelas casas coletadas”, comentou.

Leia Também