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Cidades

Justiça determina desocupação de área da Suzano invadida pelo MST

Processos de reintegração de posse seguem pendentes em outras três fazendas invadidas no início da semana no sul do Estado

02 março 2023 - 20h57 Por de Suzano
A Justiça da Bahia determinou a reintegração de posse de uma fazenda da Suzano Papel e Celulose invadida na segunda-feira, 27, por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Mucuri. O MST ocupou três áreas da empresa e uma quarta fazenda de outro proprietário no sul do Estado. 
 
A Justiça fixou multa de R$ 5 mil por dia aos sem-terra em caso de descumprimento e autoriza o uso de força policial para a desocupação, se necessário.
 
A empresa afirmou que em decorrência da invasão ilegal, a companhia ingressou em juízo com ações de reintegração de posse, obtendo decisão favorável em Mucuri, que reconheceu a ilegalidade da invasão e determinou a reintegração da posse à Suzano.
 
“As demais ações estão em análise e a companhia espera receber a mesma determinação de reintegração de posse nos próximos dias”.
 
A empresa informou que cumpre integralmente as legislações ambientais e trabalhistas aplicáveis às áreas em que mantém atividades, tendo como premissas em suas operações o desenvolvimento sustentável e a geração de valor e renda, reforçando assim seu compromisso com as comunidades locais e com o meio ambiente.
 
Especificamente no sul da Bahia, a empresa informou que gera aproximadamente 7 mil empregos diretos, mais de 20 mil postos de trabalho indiretos e beneficia cerca de 37 mil pessoas pelo efeito renda, conforme metodologia adotada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ).
 
Além disso, por meio de seus projetos sociais, programas e iniciativas na região, a empresa alcançou mais de 52 mil participantes diretos e indiretos, em 82 comunidades e mais cinco sedes municipais.
 
A decisão da Justiça vale para a fazenda de cultivo de eucalipto localizada no município de Mucuri. Foram mobilizados 1.700 militantes para invadir as três áreas da empresa e uma quarta fazenda no município baiano de Jacobina. O proprietário da Fazenda Limoeiro entrou com ação de reintegração de posse, ainda não julgada. As invasões geraram forte reação de repúdio de entidades do agronegócio. 
 
Segundo o MST, a decisão judicial referente à fazenda da Suzano em Mucuri será cumprida. De acordo com o dirigente nacional do movimento na Bahia, Evanildo Costa, as ações contra as fazendas da Suzano tiveram como objetivo obrigar a empresa a cumprir um acordo feito em 2011, com a participação de interlocutores dos governos estadual e federal.
 
“A Veracel e a Fibria (outras empresas do setor de celulose) cumpriram o acordo. A Suzano deveria ter destinado área para assentar 650 famílias, mas só destinou para 250. Estamos negociando desde 2015 e a empresa vem enrolando, enquanto as famílias estão espremidas em acampamentos. Fizemos as ocupações como pressão para o cumprimento do acordo”, disse em entrevista ao Jornal O Estado de S. Paulo. 
 
Em texto publicado no site oficial, o movimento informaram que o ato também foi uma denúncia contra a monocultura de eucalipto na região e o uso de agrotóxicos pela empresa, “que prejudica as poucas áreas cultivadas pelas famílias camponesas e o êxodo rural provocado pela monocultura do eucalipto na região”.
 
Na ocupação, os trabalhadores e trabalhadoras repudiam ainda “os problemas relacionados à crise hídrica nos municípios, causados pela produção em grande escala de eucalipto e a pulverização aérea realizada nas áreas dos monocultivos”.
 
Além disso, denunciam “a grande concentração de terras por fazendeiros e empresas do agronegócio na Bahia”. Para o MST, o modelo de produção baseado na concentração de terra e no monocultivo é insustentável e não gera desenvolvimento.

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