A Secretaria de Meio Ambiente de Suzano realizou, na última terça-feira (18/08), uma oficina diagnóstica participativa voltada à elaboração do Plano Municipal de Mitigação e Adaptação Climática (PMAC), iniciativa que busca preparar a cidade para os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a eventos extremos.
O plano foi instituído pelo decreto municipal nº 10.427, de 28 de maio de 2026, que reconhece a urgência do assunto e também cria a Comissão de Acompanhamento do Plano. A iniciativa prevê a integração de políticas, programas e planos, com prioridade para a proteção das populações mais vulneráveis.
Durante a oficina, promovida no Complexo Educacional e Cultural Mirambava, no centro, foi realizada uma palestra com Marina Cáfaro Arouca Sobreira, engenheira florestal formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e especialista em mudanças climáticas, análise de dados, inventários de emissões de gases de efeito estufa e estratégias climáticas na “Deep ESG”, plataforma que automatiza a mensuração de emissões utilizando metodologias reconhecidas internacionalmente.
A especialista apresentou cenários de mudanças climáticas projetados para Suzano até 2030, destacando tendências como aumento das temperaturas médias, maior frequência e intensidade de ondas de calor, irregularidade nas chuvas, intensificação de precipitações extremas, ampliação do risco de incêndios florestais e maior pressão sobre os recursos hídricos.
Marina também desenvolve trabalhos relacionados à adaptação climática, gestão de riscos e comunicação sobre mudanças climáticas, aproximando a análise técnica das instituições públicas e dos territórios. A apresentação reforçou a importância do planejamento municipal diante dos possíveis impactos e da adoção de estratégias de adaptação e resiliência.
Também foram apresentados os resultados de uma pesquisa participativa, que contou com 33 respostas, envolvendo representantes de conselhos e secretarias. Na sequência, os participantes foram divididos em quatro grupos temáticos para discutir eventos extremos, impactos na população, atuação das secretarias e dos conselhos e articulação entre os setores. As contribuições vão subsidiar o diagnóstico e as próximas etapas do PMAC. Entre as demandas levantadas estão melhorias na drenagem, ampliação de áreas verdes, controle do uso do solo, educação ambiental, sistemas de alerta e políticas de assistência às populações mais vulneráveis.
“Esse diagnóstico participativo é fundamental porque permite ouvir quem atua diretamente no território e identificar não apenas os problemas, mas também as ações que já existem e podem ser integradas. A construção coletiva fortalece a construção da Governança do Plano, que deve acompanhá-lo em sua construção e implantação”, afirmou a diretora de Fiscalização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Solange Wuo Franco.
Segundo o chefe da pasta, André Chiang, o trabalho representa um passo importante para transformar a questão climática em uma política pública permanente. “Estamos estruturando uma governança climática para Suzano, unindo diferentes áreas da prefeitura e os conselhos municipais. O objetivo é planejar hoje as medidas que vão aumentar a adaptação, a prevenção e a resiliência da cidade diante dos desafios climáticos”, destacou o secretário de Meio Ambiente.



Encontro reuniu secretarias e conselhos para diagnóstico participativo e definição de estratégias de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas - (Foto: Mauricio Sordilli/Secop Suzano)




