Faz poucos meses mudou para minha rua uma nova família. É uma rua curta e podemos dizer que somos mais ou menos uma família uns cuidando dos outros, nos cumprimentando sempre que nos vemos e auxiliando quando podemos.
Inicialmente essa família permaneceu meio reclusa na residência, que estava à venda já há algum tempo.
Talvez organizando seus pertences, fazendo a limpeza necessária e se adaptando, afinal, casa nova vida nova.
Ouvíamos o barulho de crianças brincando, o latido raro de um animal e o vai e vem do veículo da família que saia algumas vezes e voltava brevemente, mas já era guardado na garagem.
Tudo normal para quem acaba de se mudar e tem muitos afazeres na nova residência, não damos conta quando não temos que nos mudar, mas é nas mudanças que percebemos que temos muitas coisas e todas devem ser arrumadas e encaixadas nos novos espaços.
Recentemente reparamos que saem mais à rua, às vezes passeiam com o cão, um pitbull bastante tranquilo, que antes do passeio ainda brinca com as crianças, que se despedem dele, mesmo que seja só para um passeio breve, com abraços efusivos e palavras carinhosas.
Muito bom ver que tem e gostam do animal, em tempos tão agressivos é agradável ver essa convivência amorosa, certamente fortalecida pelo ensinamento dos pais...
Outros moradores também têm seus animais, assim como eu e, saímos com eles para dar uma volta ou simplesmente para que possam observar a paisagem vista da calçada, que tem outro visual para eles que vivem atrás de muros altos, tão necessários nesses tempos que vivemos.
Alguns já são avós e deixam os netos brincar na calçada ou na rua onde correm ou usufruem de suas pequenas bicicletas e até mesmo dos carrinhos que puxam por barbantes enquanto fazem uma algazarra barulhenta e feliz, encantando os avós que sorriem com ternura, pois, como dizem ser avô é viver em constante felicidade, não tendo que se preocupar com a educação ou correção dos pequenos, somente usufruir a felicidade de conviver com eles...
O domingo tem sido festivo para a maioria que acende pequenas fogueiras e colocam cadeiras para ao seu redor se aquecerem e trocarem conversas, contarem as novidades, isso permite que tenhamos uma rua com jeitão de terreno familiar onde todos os cuidados são tomados, mas podemos viver com tranquilidade.
Ontem enquanto aproveitava para tirar as folhas que caem do pé de jasmim manga nesta época, deixando seus galhos pelados para enfrentar o inverno, observei a nova família se movimentando na calçada com as crianças, enquanto o pai também molhava as plantas...
Brincavam de correr, faziam grande algazarra sorridentes e felizes, as três crianças com idades entre três e seis anos se divertiam bastante entre elas, com brincadeiras simples.
Percebendo o pai com a mangueira de água gritaram em uníssono "Vamos tomar banho de mangueira!"...
Imaginei que apesar do sol que nos aquecia o pai não os atenderia, mas ele virou para elas o leve jato de água e as deixou numa alegria imensurável... Gritavam, pulavam e faziam uma festa debaixo da mangueira...
Com felicidade lembrei meus tempos de criança, onde não tínhamos nenhuma preocupação com doenças e problemas e nos divertíamos felizes sob os cuidados de nossos pais, nas ruas de nossas casas que eram seguras e bastante vigiadas por todos os vizinhos...
Tempo bom cheio de alegria e boas amizades...