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Lorena Burger

Ansiedade

19 julho 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
Ansiedade

Como é difícil conviver com a ansiedade...
Sou dessas pessoas terrivelmente ansiosas, não posso ter nenhum compromisso por mais simples e corriqueiro que seja que dias antes já começo a sentir ansiedade pelo momento que vou viver, mesmo que ele seja rotineiro...
Ansiedade também pela recuperação da saúde de pessoas que conheço e daquelas que comigo convivem, por relato de problemas que ouço de pessoas conhecidas ou da família, tudo me causa uma ânsia infinita em buscar soluções, em tentar resolver, tentativa de ajudar, mesmo que não dependa exclusivamente de mim a solução.
Envolvo-me e busco alternativas, converso, tento chegar a um consenso quando o problema não é meu, mas que direta ou indiretamente me aflige.
Fico ansiosa pela viagem que vou fazer, pelo novo trabalho em que me envolvo e me empolgo, por mais leve e tranquilo que ele seja e, até mesmo festivo...
Quero que tudo dê certo, planejo, me programo sonho e executo minhas ideias comigo mesmo, buscando os resultados mais positivos possíveis.
Em caso de viagens o estresse e ansiedade ainda são maiores e se unem de maneira que meu organismo todo se envolve... A mente imagina os passeios possíveis, busco todas as informações com antecedência, quero saber como será o tempo, até as informações de acomodação e refeições do hotel que vou me hospedar tenho que saber, não me permito chegar e ser surpreendida.
É difícil conviver com esse sentimento que pode ser um misto de alegria e de angustia, pelo medo de não dar certo ou de superar minhas expectativas...
Esse sentimento me acompanha desde a infância, talvez porque em função da profissão de meu pai mudávamos com certa constância e, isso fazia com que tivéssemos que estar sempre nos renovando, o novo endereço, a nova casa, o novo posicionamento dos móveis já nossos conhecidos...
As novidades do armazém (sim armazém, sou desse tempo) onde iriamos abastecer nossa despensa com alimentos e até teríamos acesso a algumas guloseimas diferentes.
Aliás, num desses armazéns numa cidade do interior em que moramos fui consumidora por longo tempo dos sorvetes ali fabricados numa imensa máquina, onde giravam pás que produziam os mais deliciosos sorvetes que já provei... Tinham pedaços enormes de frutas e um sabor inigualável... Talvez, como dizia minha mãe, sabor especial da infância...
Ah! Nessa época a ansiedade era comum principalmente com a nova escola, com os novos companheiros, a nova professora e, principalmente se teria alguma dificuldade com a matéria, pois, meu pai não permitia notas baixas... Educação para ele era a base de tudo!
Cresci e essa ansiedade foi sendo aumentada pelos afazeres normais que envolvem a vida em sociedade, o emprego desde o primeiro, a faculdade, e os compromissos que nos cercam normalmente.
Tenho que reconhecer que apesar dessa ansiedade toda, ela nunca foi destrutiva, ao contrário sempre me fez buscar soluções para vencer os obstáculos que surgiam e, assim fui me saindo vitoriosa nos diversos campos de atividades em que me envolvi.
Ser ansiosa nunca me impediu de manter a fé, o positivismo e a certeza de que é mais fácil vencer se acreditar na própria capacidade e buscar se superar a cada dia.