Quando assistimos os jornais televisivos o que mais vemos são pessoas reclamando do atendimento na saúde pública... A dificuldade para ser atendido com presteza e atenção quando dá entrada nalgum pronto socorro, independente da cidade que se busque atendimento.
As filas de pessoas com problemas de saúde são sempre intermináveis, são vários os males que atingem as pessoas e, onde a maioria depende do serviço público de saúde para atendimento, a fila será sempre extensa, pois, nem todos os estabelecimentos de saúde têm todas as especialidades médicas.
Por conta de uma emergência uma pessoa que conheço foi encaminhada para o pronto socorro pelos bombeiros, pois, levou um tombo numa dessas calçadas esburacadas que temos na cidade e, lá apesar da presteza do Corpo de Bombeiros, a sequência não teve nem a agilidade nem o profissionalismo que se espera dos trabalhadores desses locais.
O médico responsável pelo atendimento inicial, por conta da informação dos bombeiros de que havia uma fratura, determinou que fosse feita uma radiografia, pena que foi da parte não lesionada...
Após a radiografia, demorada e sem muitos cuidados com o paciente, ele enfrentou uma fila imensa, mesmo sendo idoso e tendo prioridade no atendimento (pelo menos deveria ter!)... O médico que recebeu a ficha, vendo que seu plantão terminaria em breve jogou displicentemente a ficha dele para o final e, apesar da dor que sentia ainda via com preocupação outros idosos ali aguardando talvez em situação pior que a sua...
Finalizado o plantão aquele médico, se é que assim deve ser chamado, saiu sem olhar para ninguém e se foi... Nesse momento dois atendentes mais escrupulosos verificaram as fichas e separaram a dos idosos e repassaram para outro médico que acabara de chegar ao atendimento e, assim ele foi encaminhado ao especialista em ortopedia...
E lá ficou à espera para ser atendido, com sua ficha na mão com a atendente visualizando suas mensagens no whatsapp enquanto a fila aumentava. Quase uma hora depois o especialista chegou e, com a fila imensa para fazer ficha sendo acelerada, ele o atendeu, verificou o RX e receitou um remédio contra dores e compressa de gelo, mesmo tendo sido informado que a dor não era no local da radiografia.
Em casa cheio de injeções contra dores e remédios contra infecção e dor, dormiu. Nos dia seguinte acreditando que a dor iria passar continuou se medicando conforme fora instruído, entretanto, a dor aumentou, tornando-se insuportável...
Então buscou atendimento particular e lá constatou fratura de cabeça de fêmur, buscando com urgência atendimento hospitalar, pois, o caso requeria cirurgia e remédios mais eficientes para a dor que só aumentava.
No hospital, teve atendimento diferente e foi rapidamente operado, o que aconteceu em uma semana, tempo razoável no serviço público de saúde e agora se recupera em casa, enquanto aguarda ser chamado para iniciar a fisioterapia, que também se dará por atendimento pelo SUS que nem sequer foi ainda agendado...
Imagino a saga daqueles que desconhecem seus direitos, que aguardam a boa vontade de pessoas que trabalham nesses setores e, não posso falar da maioria, mas, de alguns, que por não sentirem a dor do próximo, não se preocupam em agilizar o atendimento, suavizando as dores, sendo mais humanos e caridosos com aqueles que sofrem muitas vezes silenciosos por se sentirem envergonhados de seus problemas de saúde...