E a rainha Elizabeth faleceu aos noventa e seis anos com setenta de reinado, foi uma mulher à frente de seu tempo, fez da oportunidade que teve para assumir um reinado antigo e tradicional, toda diferença que lhe foi possível.
Mesmo não tendo mando no governo, cumprindo protocolos somente, se fazia entender e participava das decisões indiretamente. Sua participação era nas cerimonias e outras formalidades, incluindo a recepção de governantes de outros países, o poder político de fato é exercido de fato pelo Parlamento e pelo Primeiro Ministro, conforme sua Carta Magna datada de 1215, sofrendo alterações, mas mantendo sua base como princípio.
Foi Chefe de Estado da Inglaterra, da Escócia, do País de Gales, da Irlanda do Norte, da Austrália, do Canadá e da Nova Zelândia.
Ela assumiu o trono com a morte de seu pai em seis de fevereiro de 1952, foi coroada em dois de outubro de 1953, foi o mais longo reinado da história da Inglaterra e certamente de outros países monárquicos.
Apesar de não exercer funções governamentais, sempre representou seu país com dignidade, evitando confrontos, buscando auxiliar nos conflitos mesmo que indiretamente.
Como toda família a sua teve problemas e ela teve que deles participar, nem sempre conseguindo dar solução viável ou como esperava afinal as pessoas da família são independentes e buscam viver a sua maneira, como a sociedade atual, casando e separando e tendo seus conflitos divulgados pela mídia que busca esses fatos que geram lucro quando expostos.
Mas ela de fato representa uma era, pois, quando se falava em monarquia, a figura que se apresentava em primeiro plano era a dela, sempre com um sorriso afável e seus conjuntos de saia e casaquinhos coloridos, sempre combinando com sapatos e chapéus e durante anos acompanhada do homem que escolheu casar por amor. Talvez por isso conseguiu manter o equilíbrio duma casa real tão antiga como a dos Windsor.
Foi uma mulher à frente do seu tempo e não fazia alarde por isso, esteve na guerra, entendia de mecânica, além de ser a chefe de seu vasto clã.
Visitou o Brasil em 1968, em pleno regime militar e inaugurou o atual prédio do Museu de Arte de São Paulo o MASP, no dia sete de novembro de 1968, museu que já existe desde dois de outubro de 1947, criado por Assis Chateaubriand, um pouco de história para quem ainda não sabia...
Certamente ninguém mais marcará uma época como ela, que durante setenta anos foi rainha de um país, que apesar das crises governamentais que enfrenta, ainda é uma das grandes e fortes economias mundiais.
Sua maneira peculiar de se apresentar em visitas aos governantes de outros países quando em visita à Inglaterra ou quando representava seu país nas visitas que fazia pelo mundo, onde discretamente conversava e certamente ingeria na política, não será esquecida e, talvez nenhum outro monarca consiga a seguir, nem mesmo seu filho, que agora assume com Carlos III.
A mulher de pulso firme em sua família, mas que se apresentava sempre sorrindo quando em público e que amava o marido e, sozinha o velou durante a pandemia, além de amar cachorros e deles se fazer acompanhar sempre que possível, será para sempre uma marca registrada de nossos tempos.