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Lorena Burger

Quanta empatia

07 fevereiro 2023 - 08h00 Por Gabriely Machado
Quanta empatia

Atualmente não há como viver sem estar se atualizando nas páginas sociais quase que diariamente.
Elas próprias analisam os assuntos dos quais tratamos com mais frequência e acaba nos enviando um rol imenso de informações e de pedidos pertinentes no seu entender, mesmo que seja de pessoas que desconhecemos residentes aqui no nosso país em cidades diversas e longínquas e até mesmo de outros países.
Nelas a pessoa expõe suas necessidades, muitos expõem suas vidas e se sujeitam ao julgamento sem análise das suas reais necessidades, onde os dedos apontados e as palavras ríspidas e agressivas são utilizadas, condenando sumariamente aqueles que ali se expuseram sem cautela ou por simples e efetiva necessidade.
Alguns ali colocam suas frustrações como se conversassem com amigos íntimos e de longa data, permitindo que pessoas desconhecidas invadam sua privacidade e se tornem juízes sem nenhuma formação, educação, compreensão e empatia.
Verbalizam suas ideias, muitas vezes desconexas e com graves erros de gramática, para decidirem com crueldade qual a atitude deveria ser tomada sobre este ou aquele assunto.
Muitas vezes, sequer prestam atenção de fato ao pedido e sua motivação.
Tenho visto com frequência pessoas que pedem ajuda para alimentar seus animais e assim como os pedintes nos faróis o fazem, colocam o PIX para envio dos donativos. Hoje se não tivermos condições de ajudar momentaneamente, não impede que nos deem alternativas para fazê-lo, fica quase impositivo que se ajude...
De início esclarecem a falta de emprego ou o trabalho que mal dá para sua própria subsistência, então acreditando na generosidade humana estendem mãos virtuais de pedido de ajuda. Logo uma avalanche de comentários desairosos se faz ver, mas poucos entendem e auxiliam como seria de se esperar.
Maior agressividade se vê quando a pessoa resolve disponibilizar seu animal de estimação, sendo que o faz por necessidade, afinal alguns lugares não aceitam animais como moradores e às vezes até por mudança de país, que viria onerar a viagem para mudança de vida.
As críticas são tão incisivas e cruéis, que parece que se está abandonando um ser humano doente e incapaz a própria sorte e não um pedido de ajuda ou até a doação de um animal que não poderá mais fazer parte daquela família pelos mais diversos motivos.
Dia destes li o pedido de uma pessoa que declarou ser portadora da síndrome de Down e que após o falecimento de sua mãe, teria que morar com sua irmã e não poderia levar seu cão de cinco anos... Uma avalanche de impropérios foi verbalizada para aquela pessoa que já está sofrendo com a perda da genitora e que agora tem que se despedir de seu companheiro, mesmo tendo esclarecido os motivos dessa separação necessária.
Amo animais e tenho alguns em minha companhia e os trato com dignidade, mas jamais poderia dar a eles o status de seres humanos priorizando suas necessidades e deixando de atender aquelas das pessoas que compartilham a vida de maneira direta ou indireta comigo.
Atualmente parece que os animais passaram a ter prioridade em todos os aspectos e, estou falando de cães e gatos de estimação, que não podemos sequer doa-los, talvez por isso muitos prefiram abandoná-los à própria sorte nas ruas e nas estradas pouco movimentadas, para não terem que suportar o crivo cruel da sociedade que julga e condena sem condescendência...