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Lorena Burger

Que tempo vivemos

28 fevereiro 2023 - 08h00 Por Gabriely Machado
Que tempo vivemos

Gostaria de poder mudar o rumo da prosa como dizem aqueles que moram lá pelo interior...
Infelizmente não há como deixar passar sem comentar as atitudes que vemos em todos os lugares nesses tempos tão caóticos...
A Natureza Mãe rebelou-se contra nossas atitudes, cansou de nos dar alertas, de avisar que estamos no caminho errado, que devemos aprender a viver neste planeta respeitando o meio ambiente, as pessoas e tudo que nele vive, entretanto, temos ouvidos moucos e olhos que podem se desviar do foco quando não é interessante, quando vai na contramão dos nossos interesses.
E lá vamos nós vivendo confortavelmente, dirigindo nossos veículos para percorrer pequenas distâncias, quando podíamos caminhar e nos exercitar, jogando nosso lixo pelas ruas, sem nenhum cuidado, esquecendo que garrafas, copos descartáveis e alguns tipos de embalagens demoram muito para se deteriorar e acabam entupindo bueiros e se acumulando nos rios, resultando em alagamentos e prejuízos que sempre nos atingem também.
Queremos conforto para morar e a melhor vista na nossa casa de praia, não importa se para isso vamos construí-la no alto do morro, afinal tantas moradias menores estão ali mesmo nas encostas e parece não afetar ninguém.
Aí de repente, nuvens escuras se juntam no céu e o dilúvio acontece, é tanta água que desce a encosta que nada fica parado em seu caminho, carrega árvores, casas, carros, pessoas e muito barro sufoca quem permanece em seu percurso louco.
O resultado é pesaroso, pessoas perdem a vida, perdem bens e não há distinção de classe social. Todos são afetados. Levantamos as mãos para o céu e agradecemos quando ela diminui a intensidade, então podemos contabilizar os estragos e as perdas.
Somos um povo naturalmente solidário que de imediato se reúne para auxiliar aqueles que necessitam e que tudo perderam. De mãos dadas arrecadam água, alimentos, roupas e tudo mais que for necessário para dar um mínimo de conforto aqueles que agora necessitam de tudo, até mesmo do abraço amigo.
O governo se solidariza e também envia ajuda, tudo é bem vindo e necessário.
Infelizmente no caminho, pessoas de má índole saqueiam as doações, desviam os donativos, se aproveitam da bondade de muitos para benefício próprio, roubam as mercadorias que se destinavam aos desabrigados, se cadastram como necessitados quando na verdade vão buscar as doações para vendê-las, porque de fato não precisam se aproveitam vendendo a água tão necessária a preços exorbitantes...
Casas que foram inundadas ficam à mercê de bandidos que querem saquear o pouco que resta e ainda se aproveita nessas casas pobres, onde tudo foi obtido com muita luta.
Nas enchentes nas cidades moleques se aproveitam do pavor dos condutores de veículos pegos de surpresa com a água que extravasou dos rios e furtam desavergonhadamente o que podem, tentando inclusive retirar partes dos veículos, sem medo limpam o que podem, mesmo sabendo que estão sendo filmados ao vivo por uma equipe de jornalistas num helicóptero que sobrevoa a região. 
Na casa que oferece seu espaço para que seja feita doação de cestas básicas, os beneficiados furtam objetos que dão conforto a todos sem nenhum respeito.
Aí nos questionamos que tempos são estes que vivemos onde muitos pensam somente em si, sem nenhuma empatia e amor ao próximo... O que falta? Amor, religião, empatia?