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Nostalgia no ar

13 outubro 2026 - 05h00 Por LORENA BURGER

Porque será que em alguns dias ao abrirmos a janela do nosso quarto e olharmos natureza que nos rodeia sentimos uma nostalgia, uma saudade que não se explica?
O Sol não quer aparecer, então fica escondido atrás de nuvens mais densas, mas iluminando intensamente o dia, sabemos que está ali afinal o dia amanheceu mais quente, como deve ser na primavera, esse período do ano em que a natureza está mais exuberante, as folhas mais verdes carregam as árvores e as plantas por menores que sejam, talvez na intenção de guardar só para si o colorido das flores que encantam nosso olhar.
Desde a maria sem vergonha, que floresce na sua simplicidade, aproveitando qualquer brecha do jardim, até a roseira antiga que subiu para o telhado com seus galhos esguios cujas pontas estão carregadas de rosas amarelas que contrastam com a cor escura das telhas, o jasmim manga que reinicia seu ciclo de folhas novas e verdinhas e flores roxas que encantam a vizinhança e nessa época servem de mirante para a passarada que se instala em seus galhos observando a redondeza, a amoreira e as pitangueiras carregadas de frutos doces de cores intensas que deliciam o paladar nosso e das aves que por ali pousam.
No tronco do coqueiro que cresceu absurdamente as orquídeas estão lançando pequenos galhos cheios de botões que logo vão explodir e lindas flores vão encantar a vista, são as chuvas de ouro que parecem aguardar o Sol para se abrirem.
Toda essa beleza encanta os olhos e traz saudade que aperta no peito, com lembranças de outros tempos em que tudo isso era partilhado com pessoas que se encantavam tanto quanto nós e, que nos descreviam a beleza e o encanto dos seus jardins...
Na casa de minha mãe, de onde saí anos atras para seguir a vida com a família que construía, a visão do quintal era magnifica também, as orquídeas plantadas por minha mãe avó eram a visão do paraíso, o pé de gabiroba carregado, as pitangas maduras, os cachos de uva, tudo isso era motivo para ficarmos na janela observando em silêncio para não espantar a passarada que ali se instalava e saboreava antes de nós aquelas delícias que foram plantadas pelas mãos caprichosas dos meus pais e avó.
Agora olhando para o meu jardim a lembrança vívida de tudo isso retorna a minha memória, trazendo um misto de alegria por ter vivenciado essa alegria e de tristeza porque hoje fazem parte das minhas recordações e, ter a certeza de que alguns lugares permanecem com toda essa beleza, mas ali não se encontram mais as pessoas com as quais repartíamos essa alegria.
Ah! A saudade é inexplicável... Tem dias que toma de supetão nossas lembranças e fica apertando nosso coração... A memória tenta desviar nos fazendo tomar consciência dos afazeres que estão nos aguardando, mas cenas de um tempo maravilhoso que vivemos passa em nossa mente com insistência, são tão claros que parecem que estamos vivenciando tudo novamente...
Entretanto, o tempo e a vida não param e assim algumas de nossas lembranças fazem parte do passado e não há como viver novamente, fazem parte de um espaço da nossa existência que não volta mais, do qual somente restam as lembranças maravilhosas e felizes de uma convivência de amor e respeito...
Dias assim não nos tornam infelizes, somente mais acabrunhados e silenciosos, como se a introspecção pudesse trazer de volta para nossa realidade tudo isso que acalenta nosso coração.