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Equilíbrio

24 outubro 2026 - 05h00 Por SUAMI PAULA DE AZEVEDO

Essa coisa de estar ou ser equilibrado não é tão simples. Aos oitenta anos descobri, meio a força, a tal da “falta de equilíbrio” que me atingiu. Nunca tinha tido qualquer sinal dessa perda antes na minha vida. Não é coisa simples, nem fácil para enfrentar. Refiro-me a todas as suas formas, sejam físicas, emocionais ou mesmo em outras bases.


Descobri que se perdemos o equilíbrio porque atingimos a “labirintite” é o ponto mais simples. Toma-se remédios e a coisa volta ao normal. Curamos. Mas, se não é labirintite, temos inúmeros exames a serem feitos até se descobrir a causa malvada. O desequilíbrio vem e nos afeta fortemente. Parece uma tontura. Ela vai atacando o nosso jeito de parar, de andar, de levantar da cama ou deitar. Atinge com fortes limitações nossa leitura, nossa observação do mundo, nosso caminhar e nos impõe um bom tanto do sedentarismo malvado. Mas temos de descobrir a base de tudo isso, claro. Coisa nada fácil. Foram uns bons dias que me foram tomados. Mas agora é me cuidar. 


Descobri que o que me atacava era baseado na tal de “velhite”. Ter mais idade impõe condições, teria de planejar melhor a minha vida.


Felizmente, estou podendo voltar a fazer os meus exercícios físicos. A barriga cresceu bem, perdi massa muscular, preciso de mudanças no meu jeito de ser. Estou retomando meus afazeres, claro. É, a partir de agora, tenho de me cuidar em tudo o que fizer. É prestar atenção em como sigo. Já faz muitos anos que busco o equilíbrio no meu caminho. Não é só coisa física. Já tive de enfrentar movimentos radicalistas, que exibem, quase sempre, uma falta de equilíbrio. Sei bem, a vida nos puxa. Mas, com certeza, quase sempre, podemos escolher. Lá por 1968 e 1969, liderei movimentos estudantis. Com a Ditadura no poder não era coisa simples. As pessoas sumiam de um dia para o outro, como dizia uma música, “desapareciam num rabo de foguete”. Além de São Paulo, no Brasil, o mundo passava por fortes rebeldias universitárias, especialmente em Paris e na California. Nada como vemos agora. Ninguém atacava lojas. Mas o Senhor me levou para um acidente, impedindo que eu fosse para onde muitos se foram definitivamente. Por isso fui deixado dias em coma, com a tal da Experiência Quase Morte (EQM), quando a mente sai do corpo e iniciamos nossa passagem para a morte. Foram meses internado. Pleno de restrições, limitações, depois saí do País. Tinha de me restar equilibrado. Quando meu primeiro filho nasceu, na França, em meado dos anos de 1970, me preparei no pré-natal. E pude assistir o parto, sem desmaiar. Depois que saí da Maternidade, quando voltei para a minha casa, consciente de que tinha uma criança, uma família, para cuidar, dei-me conta de precisar ter muito mais cuidado ainda com a vida que viria dali em diante. Conscientizei-me de que não podia ser para sempre um revolucionário, mas tinha de me reconhecer como um reformista, sem precisar destruir o que já existisse, mas cuidar de recuperar o que pudesse ser aproveitado. Minha mulher me apoiou muito. Vejo agora extremismo demais. Com polaridade, com radicalismo. Ao contrário, precisamos de mais calma, reflexão. Podemos estragar tudo. Escolher mal. Precisamos mesmo é de equilíbrio. Tentemos todos nós o equilíbrio como nossa escolha. Podemos ajudar a melhorar os demais e o nosso mundo.