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Jornal Diário de Suzano - 14/08/2026
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Coluna

Um Sacerdócio de longa duração

14 agosto 2026 - 05h00

No dia 11 de agosto comemorei 52 anos de vida sacerdotal. Ao longo destes anos a minha vida se misturou com a vida do povo. Houve diálogo e partilha de vida com as famílias e seus problemas familiares. Houve um longo caminho, percorrido no respeito e na compreensão da vida do casal entre eles e com seus filhos, para preservar no lar o clima de confiança e de recíproco respeito.
Todos nós, necessitamos de pontos de referência, de pessoas que nos ensinem a caminhar da melhor maneira, vencendo os desafios que surgem no caminho.
Em minha infância já tive o apoio do pároco, aprendido boas lições e ensinamentos edificantes.
Encontrei também fatores dolorosos e marcas que muitas vezes nos arrastam para trás em nosso processo de crescimento pessoal. Contudo, aprendi com Jesus a transformar o mal em bem. Ou seja, aprendi e tirar proveito também dos acontecimentos tristes e desagradáveis, transformando-os em degraus em minha escalada para ser um bom cristão.
Tive também uma grande mestra na vida, minha mãe, que me ensinou a trilhar os caminhos de Deus, que não pode ser esquecido um dia sequer.
Me ensinou a dar os passos em minha vida humana e em minha vida de fé. Olhando, durante a minha juventude para a vida do Senhor em Nazaré, e na terra de Israel, vi nele apenas gestos que revelavam amor e ternura para com os enfermos e sofredores, crianças e jovens. Jesus é amor, pois é Filho de Deus e Deus é amor, como nos diz São João. No entanto sabemos que o pecado é nosso grande “não” aos planos de Deus sobre nós. Ninguém é isento desse risco, Precisava que toda a minha vida fosse um ‘sim’ constante à vontade de Deus.
A graça de Deus me escolheu para ser discípulo do Filho Unigênito. Amor gera amor, diz São João da Cruz, e isto se cumpriu na minha vida. Fui aprendendo a amar Cristo.
A minha família, especial no seu testemunho de fé e ao mesmo tempo simples como qualquer outra, soube se colocar ao meu lado em todos os momentos, com toda lealdade e sem dramas. Soube esquecer-se para ver um filho se tornar sacerdote e feliz em sua missão sacerdotal. Apesar da pobreza em que vivíamos, soube cuidar das coisas com sacrifício, para que conseguisse chegar ao Sacerdócio.
Na vida familiar os problemas que enfrentamos são desafios que a fé nos ensina a superar. Foi assim que cheguei a viver na minha pequenez, a grandeza do Sacerdócio.