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Jornal Diário de Suzano - 09/05/2021
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Nossos Doces Campos Cerrados dos Mirambava

27 MAR 2021 - 05h00
Faz décadas que escrevo aqui neste espaço, em época semelhante de março, sobre o nosso lugar, sobre Suzano e sobre a sua, sobre a nossa História. Tenho orgulho por ter contribuído para a nossa Cidade. E todos que aqui vivem ou aqui trabalham também devem sentir este mesmo sentimento. Isso é Cultura, pode ser passado pelo Processo de Educação. As crianças vão se situando no "seu" mundo, inicialmente pela relação com a Família, pais, irmãos, parentes, depois vai seguindo nessa linha com os vizinhos, amiguinhos, colegas de escola, e, sem parar, alargam esse horizonte, ampliando o seu bairro, a sua cidade, seu estado, seu país, o continente, o mundo. Lutei para que se estabelecesse legislação que obrigasse o Ensino de História de Suzano em todas as escolas, o que foi estab elecido, mas nunca praticado em termos genéricos. Sei que o mundo anda melhor quando as mãos se juntam. Num tempo de males que nos pressionam, sei que vaidades e disputas desnecessárias retardam soluções que precisamos. Mas temos de seguir avante. A Luz há de sempre iluminar o nosso caminho. E a identidade com nosso cantinho não vai nos diminuir, mas ampliar, ante essas tantas dificuldades presentes.
Como é a nossa base? Quem eram os antigos que por aqui passaram? Guardamos algumas de suas marcas? Será que repetimos alguns de seus anseios? Deixaremos também o nosso registro para os que virão após?
O fato é que o povo que vivia, no século XVI, onde hoje fica o Centro de Suzano, era conhecido por "Mirambava", uma expressão que o caboclo atrofiou do tupi-guarani "Manh'wara". Minhas pesquisas revelaram que a expressão significava "aqueles que comiam "wará-itás", ou "guará-itás", que comiam caranguejos de rio. Esse espaço era um cerrado, como a região do Vale do Anhangabau. O rio Guaió inundava várias vezes por ano o lugar e quando retornava ao seu leito deixava sobre o campo, além de peixes, também uns caranguejos de rio, de casca dura ("ita", ou seja, pedra). Aliás, a expressão Guaió, significa, também em tupi-guarani, "rio que volta sobre si mesmo". A nomenclatura tupi-guarani não erra nunca. E gente antiga de Suzano, ainda lembra que há uns trinta anos os rios de Suzano, Guaió e Una (antigo Figueirinha) inundavam muito. Esses afluentes desaguam no Rio Tietê, mais alto, que voltava por sobre os rios menores. 
O povo que vivia por ali não plantava. Vivia do que conseguia, do que a natureza lhe trazia. Hoje nós transformamos tudo a que nos aproximamos. Mas também vivemos do que colhemos em nossa Cidade. E queremos também alargar aos demais tudo o que seja possível. Como sofremos com as perdas. Mas podemos sentir que nossas mãos querem se juntar.
E nós, que aqui estamos, e ficamos, nesse campo, nesse cerrado, hoje urbanizado, somos o atual Povo Mirambava. Mudamos o cerrado. Plantamos uma cidade. Mudamos diariamente nossa própria Cidade. 
Nessa data não podemos nos esquecer das origens dos que nos deram base para sermos o que nos transformamos ao longo do tempo. Viva nossa gente!
SOUZA CAFÉ
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