Policiais do Comando de Policiamento de Área Metropolitana (CPA/M12), que atende o Alto Tietê, vão passar por um novo treinamento do governo do Estado, que visa reorientar a tropa para evitar casos de violência policial na região.
O programa Retreinar foi anunciado pelo governador João Doria (PSDB) em coletiva no início da tarde de ontem. Já a participação de militares da região foi confirmada ao DS pelo comandante do CPA/M-12, coronel PM José Raposo de Faria Neto.
“Basicamente, o projeto é corporativo. Então ele vai abranger toda a Polícia Militar. Essa notícia eu posso te adiantar sem receio. Agora, não sabemos onde será esse treinamento, mas ele vai abranger o Alto Tietê, com certeza”, cravou o coronel Raposo.
Recriar surge após frequentes atos de violência cometidos por policiais de outras regiões do Estado. Alguns deles foram registrados em vídeos que circularam pelas redes sociais na última semana, que mostram excessos praticados por militares durante protestos pela morte de um jovem de 15 anos na Vila Clara, zona Sul de São Paulo.
Segundo o coronel Raposo, o programa vem para agregar às iniciativas que já são adotadas pela Polícia Militar, como estágio de atualização profissional anual e cursos que possuem em seu conteúdo programático a atuação baseada na ética, no respeito e na técnica.
“A Polícia Militar sempre pontua uma atuação baseada na técnica e no respeito às pessoas. Ela nunca deixou de treinar, selecionar e eventualmente responsabilizar. Não é algo que vai começar a ser feito agora. Acho que uma ação para agregar mais a esse trabalho que já é feito, é válida, mas não começou agora”, afirmou Raposo.
O coronel também lamentou a forma como a grande mídia tem abordado as ações policiais. Segundo ele, isso faz com que as pessoas tenham uma “predisposição” negativa com os policiais, desencadeando em reações que exigem uso da força policial.
“Neste momento, realmente alguns fatos têm sido detectados, e a gente lamenta mesmo. Trabalhamos bastante para que isso não aconteça. Infelizmente, a gente vê que a grande mídia dá muito mais ênfase para aquilo que é desconforme, e cria nas pessoas uma expectativa negativa sobre a ação policial. É um momento delicado, porque se as pessoas já têm esse tipo de predisposição negativa com relação a atuação do policial, elas terão um comportamento de afronta, que vai exigir maior nível de uso da força, e às vezes as coisas caminham para um desfecho que poderia ter sido evitado”, finalizou o coronel.