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Política

Especialistas analisam impacto das eleições locais

Cientistas políticos ouvidos pelo DS defendem que a eleição municipal gera mais engajamento na população

23 julho 2023 - 20h00 Por Fernando Barreto - da Região

Para três especialistas ouvidos pelo DS, as eleições municipais têm mais impacto na vida da população e por isso geram mais engajamento nos eleitores, quando comparado às eleições gerais.

No próximo ano ocorrem as eleições municipais, quando serão eleitos ou reeleitos prefeitos e vereadores.

Para o sociólogo Afonso Pola, as eleições municipais têm esse impacto pois está relacionada à vida cotidiana do cidadão.

“É importante por isso, é no município que o cidadão vive. E a partir de quando ele (o eleitor) consegue interferir na pessoa que vai gerir a cidade dele, ele se interessa”, afirmou.

O cientista político Fernando Ivo Antunes concorda e vai de encontro com as opiniões de Afonso Pola. Ivo Antunes afirma que na eleição municipal o debate é mais regionalizado, e interfere diretamente no cotidiano do cidadão.

“Ano passado (eleições 2022) os debates eram mais voltados para economia, investimentos. E o debate municipal é mais local. Fica concentrado em questões como creches, trânsito, saúde, transporte público”, disse.

Para o cientista político Eduardo Caldas, nas eleições municipais o cidadão tem mais facilidade em cobrar do vereador as mudanças necessárias.

Comparado com as eleições gerais, a principal diferença é no engajamento da população. Como informado, a importância para o cidadão que a eleição municipal tem é maior. Por isso, Afonso Pola afirma que é mais fácil o vereador conquistar o eleitor do que o deputado estadual.

“Se trata de eleger pessoas que vão influenciar mais na vida das pessoas (nas eleições municipais). Se pegar os dados dos jovens que se colocam a votar nas municipais é maior do que as gerais”, explica.

O sociólogo ainda diz que nas eleições municipais em cidades pequenas, como Poá, Itaquá, Ferraz, Salesópolis, “é quase impossível o eleitor não ser ‘atingido’ pela propaganda eleitoral do vereador”.

Outra diferença apresentada por Fernando Ivo é que nas eleições gerais são pautas mais gerais, como discussão sobre economia, emprego e indústria. “E como vimos na última, pautas mais voltadas para crenças e visões”.

Por conta dessa distância entre os cidadãos e o político, Afonso Pola credita a isso os poucos deputados eleitos na região.

“O Alto Tietê só tem dois deputados estaduais (Marcos Damásio e André do Prado, ambos do PL), muito em decorrência disso. Agora as eleições gerais distanciam o eleitor e o candidato. Existe o candidato da região, mas não tem efeito mobilizador”, concluiu.

Democracia

Eduardo Caldas foi além e reforçou a importância de termos eleições a cada dois anos. Em 2022 foram as gerais, e em 2023 serão as municipais. Para ele, isso é um reforço da cidadania.
“Temos eleições a cada dois anos. Do ponto de vista da democracia é bom, pois exercita o voto. Permite assim o debate político”, disse.

Organização política

Para Fernando Ivo, com as eleições para governador e prefeitos em anos diferentes, é necessário que o chefe do poder Executivo municipal tenha contato e proximidade com o governador.

“Se o prefeito quer realizar uma obra, ou mais investimentos para a cidade, ele precisa da ajuda do governador. Por isso ele (prefeito) precisa do apoio do Estado. Então se não há diálogo, se o prefeito faz oposição, isso prejudica. É necessária uma dança das cadeiras. 

Mas claro que se no reduto político do prefeito há uma oposição ao governador maior do que aprovação, o prefeito tende a não ter muito contato também” disse, citando o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, que fechou o Pronto-Socorro em 2021, e a reabertura é um pedido do prefeito Caio Cunha.
 

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