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Região

Campanha Novembro Azul contribui para quebrar o silêncio em torno da saúde masculina

Para urologista e professor da UMC, ações possuem ênfase histórica no câncer de próstata, tumor que mais cresce entre os homens brasileiros, mas também incentivam à dedicação ao cuidado integral de sua saúde

04 novembro 2026 - 17h52 Por Reportagem Local

O mês de novembro é escolhido para a campanha mundial de conscientização sobre a saúde do homem, com ênfase histórica no câncer de próstata. O objetivo central é quebrar o silêncio em torno da saúde masculina: fazer o homem entender que procurar o médico antes do sintoma não é fraqueza, é cuidado. A campanha existe porque a doença cresce em silêncio e, quando apresenta sintomas, muitas vezes já avançou. “Cerca de 90% do câncer de próstata pode ser curado se descoberto em sua fase inicial”, adverte o urologista Renato Chavasco, chefe da disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

“Este é o momento do ano em que o assunto entra na mesa de bar, na família e no consultório, e em que muitos homens fazem o primeiro exame da vida”, destaca Chavasco, que possui subespecialização em Uro-Oncologia.

O Brasil está entre os países com maior número absoluto de casos de câncer de próstata no mundo, o que se explica pela dimensão da população e pelo envelhecimento. É o câncer mais incidente entre os homens brasileiros. Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca), para o triênio 2026 a 2028, o Brasil deve registrar cerca de 77.920 novos casos por ano.

O professor da UMC lembra que o momento de decisão em procurar um médico tem impacto direto sobre o diagnóstico da doença: “Detectado em estágio inicial, quando ainda está confinado à glândula, o câncer de próstata tem alta chance de cura, com tratamentos que preservam a qualidade de vida. Quando descoberto em fase avançada, com metástase, a cura deixa de ser possível e o tratamento passa a ser paliativo. É a diferença entre uma doença curável e uma doença crônica e grave”.

De acordo com o urologista, a recomendação usual é iniciar a avaliação prostática preventiva a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco, e a partir dos 45 para homens negros e para quem tem parente de primeiro grau, como pai ou irmão, porque nesses grupos o risco é maior e a doença tende a ser mais agressiva. Quem tem histórico familiar forte deve conversar com o urologista ainda mais cedo.

Os sinais de alerta que o corpo dá para a doença são jato urinário fraco, dificuldade para iniciar ou interromper a micção, necessidade de urinar várias vezes à noite, sangue na urina ou no sêmen e dor óssea persistente, principalmente na coluna e no quadril, que aí pode indicar doença avançada. Para o rastreamento, geralmente são realizados dois exames, que se completam: o exame de sangue do PSA e o exame físico, o toque retal.

Atualmente, há diversas opções de tratamento disponíveis e que dependem do estágio da doença e do risco a serem avaliados pelo médico: “Nos casos iniciais, as principais opções são a cirurgia, a radioterapia e, em tumores de baixo risco, a vigilância ativa. Nos casos avançados, entram a hormonioterapia, a quimioterapia e as novas terapias-alvo. A tecnologia mudou muito a cirurgia. A robótica permite maior precisão, menos sangramento e recuperação mais rápida, com impacto direto na preservação da continência urinária e da função erétil”, explica o especialista.

O professor da UMC lembra que o mês de campanha pode e deve ser utilizado não só para o olhar vigilante sobre o câncer de próstata, como também para a saúde integral do homem: “Ele pode eleger esse período para dedicar-se ao cuidado da sua saúde. Ter esse zelo não diminui a masculinidade, pelo contrário, é o que garante tempo de qualidade com quem se ama”, conclui.

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