O cemitério municipal São João Batista, conhecido como cemitério do Raffo, fará a exumação de 87 sepulturas perpétuas instaladas em uma área com suspeita de contaminação. Os enterros neste espaço foram interrompidos em 2013. Nesta quadra, 718 corpos já foram exumados, sendo 420 retirados desde a desativação da zona. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), por meio da Agência Ambiental de Mogi das Cruzes, a contaminação por necrochorume pode acontecer no local, uma vez que as instalações do cemitério são antigas e não previam os sistemas de proteção ambiental atualmente adotados.
Por enquanto, a Prefeitura e o órgão estadual tratam a situação como um impacto ambiental gerado pela a ausência de normas ambientais durante a implantação do cemitério, há aproximadamente 40 anos. Segundo a secretaria municipal de Meio Ambiente, a primeira etapa das averiguações já foi concluída e constatou o impacto na área. Logo, os enterros foram suspensos no local e a exumação dos sepultamentos temporários teve início, bem como o impedimento para novas alocações perpétuas.
A segunda etapa do estudo está em andamento burocrático e deverá trazer mais detalhes, como a extensão da área afetada e o que causa o problema. Dependendo da substância encontrada, o impacto ambiental pode ser considerado uma contaminação. A Cetesb foi questionada quanto a possível presença de necrochorume na área, a qual afirmou que tal contaminação pode ocorrer, justamente pela falta de planejamento ambiental do cemitério construído há quatro décadas.
A substância provém dos cadáveres em decomposição e pode conter metais pesados, bem como resíduos hospitalares, vírus, bactérias e outros agentes patogênicos. No último relatório de Áreas Contaminadas e Reabilitadas do Estado de São Paulo, realizado em dezembro de 2016, a companhia detectou impactos no subsolo e nas águas subterrâneas do cemitério, causados por contaminantes microbiológicos.
De acordo com a Cetesb, o primeiro passo para a resolução do problema seria conter a fonte de contaminação, para posterior gerenciamento de área degradada. Ainda não há informações sobre o tamanho do espaço afetado. "Tal delimitação deverá ocorrer na etapa de investigação detalhada, a ser realizada pelos responsáveis pelo cemitério. Outro caso já confirmado é o do Cemitério de Sabaúna, em Mogi das Cruzes", informou.
Segundo a Prefeitura, a exumação dos 87 sepultamentos perpétuos depende de um procedimento administrativo para que sejam realocadas em outra quadra dentro do mesmo cemitério. A administração entrará em contato com as famílias para que o processo seja autorizado.