O setor de hemodiálise do Instituto de Nefrologia de Suzano e Mogi das Cruzes depende do repasse de verba do Ministério da Saúde para continuar funcionando. O valor individual de cada sessão de hemodiálise realizada no Instituto é de R$ 284, porém o Sistema Único de Saúde (SUS) repassa somente 68% do valor total do custo por sessão, ou seja, R$ 194. Isso gera o déficit de R$ 90 por cada paciente. O instituto da região atende no total 552 pacientes, sendo 252 em Suzano e 300 em Mogi das Cruzes. Atualmente o déficit financeiro da instituição é de R$ 49.680.
"Arcamos com as despesas há bastante tempo, através de uma administração financeira profissional e eficiente e através de empréstimos junto à rede bancária. Atendemos também a uma minoria de pacientes de convênios médicos, que remuneram melhor que o SUS e bancam parte do déficit operacional", informa o diretor do Instituto de Nefrologia da região, Rui Alberto Gomes.
Além disso, aponta que por causa do déficit não pôde aumentar as instalações e nem atender mais pacientes do SUS. "Isso aumentaria ainda mais o nosso déficit. É preciso mudar este cenário antes de fazermos novos investimentos em ampliação. De nossa parte, estamos tentando sensibilizar os gestores públicos da saúde (SUS) a aumentar os valores hoje pagos pela sessão de hemodiálise. A responsabilidade pela assistência de novos casos de pacientes do SUS é dos gestores do SUS, não é dos prestadores de serviços credenciados, como é o nosso caso", informa.
Uma tentativa de reajuste com o órgão federal foi feita em Brasília. Porém, em reunião com Ministro da Saúde, Ricardo Barros, os diretores receberam como resposta que o governo federal não tem como assumir o custo do setor porque acredita que isso é de responsabilidade do Estado e do Município. O encontro aconteceu na terça-feira e foi intermediado pelo senador José Serra (PSDB) e pelo deputado estadual Estevam Galvão (DEM).
A Secretaria de Estado da Saúde informou que a ampliação e oferta de serviços da saúde dependem diretamente de verba que órgão federal repassa.
"A proposta do governo paulista é que o Ministério pague pela totalidade da produção apresentada", informa. Além disso, a Secretaria divulgou que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde de São Paulo realizou uma proposta ao governo federal, a pedido da própria pasta, que todos os tratamentos de hemodiálises feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passem a ser pagos integralmente pelo Ministério da Saúde, como já acontece nos casos de transplantes renais. "Hoje, a remuneração da chamada terapia renal substitutiva é feita por uma espécie de média de produção, mas a conta nunca bate, prejudicando as clínicas de hemodiálise que mantêm convênio com o SUS. Esses serviços muitas vezes acabam restringindo o atendimento e não aceitando novos pacientes", explica.
Para se ter uma ideia, a região do Alto Tietê atende cerca de 75% dos pacientes dos seus municípios . Os Institutos de Nefrologia de Suzano e Mogi atendem 542 pacientes. O setor de hemodiálise o Hospital Santa Marcelina em Itaquaquecetuba realiza mais de 1,6 mil sessões por mês. Com estes números é possível prever que uma ampliação e melhora no setor deveriam ser feitas, abrindo mais vagas para que os pacientes se tratem na região.