Suzano vai retomar o debate sobre a criação de uma lei para preservar o patrimônio histórico e cultural da cidade. Em 2016, um projeto que visava tombar os prédios históricos teve discussão. Na época a lei precisava de aprovação da Câmara para ser decretada. A Prefeitura de Suzano por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação informou que já iniciou um debate para resultar em uma legislação específica sobre a proteção ao patrimônio histórico material e imaterial do município.
De acordo com as pastas, foram realizados encontros em agosto desde ano para discutir sobre os possíveis patrimônios que devem ser preservados e os instrumentos de proteção ao patrimônio material. Após as análises das secretarias, será previsto os imóveis que serão tombados. "Este debate deverá ser aprofundado e contar com a participação de outros órgãos ao longo de 2018", informou a administração.
Enquanto o projeto de lei ainda não entra em vigor, moradores da vila de Baruel, onde fica localizada a igreja mais antiga de Suzano, a Igreja do Baruel, demonstram interesse pela preservação do prédio. Eles acreditam que isso dará mais visibilidade para o bairro e despertará interesse da população na história da capela.
A zeladora da Igreja, a aposentada Célia Castro, de 53 anos, cuida com carinho da Igreja do Baruel desde que o padre atual tomou conta do local. Segundo ela, o tombamento fará com que a Igreja seja mais visualizada pelos munícipes. "Se tiver o tombamento acredito que terá mais segurança no local, uma vez que a igreja já foi assaltada e a igreja será mais zelada porque terá mais investimento", informa. Segundo Célia, quem toma conta da igreja atualmente é o padre Ademir Andrade de Sá, os coordenadores, que são responsáveis pelo dízimo, Américo Castro e Fátima Castro e ela e seu marido, o aposentado Nilton Alves.
A igreja está na ativa com missas regulares todos os domingos. O interior da capela estava decorado com enfeites natalinos e pronto para receber os fiéis no domingo, véspera de Natal. Na ocasião, seja celebrada a tradicional missa de domingo será feita a entrega de presentes para crianças carentes e cestas básicas para famílias carentes.
A cabeleireira Jaqueline Reis, de 29 anos, conta que o tombamento poderia trazer mais visibilidade para o bairro e mais cuidados para a Igreja. "Mesmo eu não freqüentando as missas que ocorrem na Igreja eu vejo a importância dela para região. Ela é histórica e deveria ser preservada, pra que as manutenções estejam sempre em dia", conta.
Já a autônoma Cícera Maria da Silva, de 30 anos, acredita que tombar a Igreja e torná-la patrimônio histórico é importante para fomentar a cultura na cidade, porém, ela demonstra preocupação em instituir um ponto turístico, pois talvez, os residentes teriam que deixar o local. "Acho muito importante preservar a Igreja porque ela é o marco zero de Suzano, isso poderia trazer mais movimento para essa região. Porém me preocupo se com isso, a prefeitura faça do nosso bairro um ponto turístico. Ouvi rumores de que iriam remover a gente daqui pra construir museus", conta.